sábado, 27 de junho de 2009

Prosa

Desde que você desistiu de encantar meus olhos com os seus,
O brilho que neles havia
Te seguiu,
E assim como você,
Ele nos abandonou.
E contigo foi até não saber mais o caminho da volta.
Pois assim como eu,
Ele não sabe viver sem você.

Os meus olhos sem brilho,
A minha vida sem rumo,
A vida sem você...
Nada tem sentido, nada tem você...

Porque você brilhava...
(Agora não mais para mim)
E eu te olhava...
E só de te olhar a alegria me invadia!
A vida era mais colorida,
O céu chegava até mim
Como um doce que chega às mãos de uma criança...

E eu sorria,
E você me sentia assim como eu a você...
As palavras caíam da minha boca, a meio caminho,
Morrendo na mera pretensão...
E você as recolhia cuidadosamente e silenciosamente,
Entregando-as ao seu destinatário...
E o seu coração me respondia...
Chegava à beira dos seus olhos,
Tentando saltar dali para os meus,
E os meus olhos tentando compreender silenciosamente o momento...
Eu tentava não perder nenhum detalhe...
Eu tentava te gravar com os olhos...
E você, na iminência de saltar,
Neles entrava sem nem perceber

O tempo parava.

Quem sabe ainda não estejamos lá,
Descobrindo um ao outro com tamanho fascínio?
Quem sabe o brilho dos meus olhos ainda não voltou,
pois está lá...
Com você, por você, em você...