quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Questão Indígena


           Já estou há dois dias tentando escrever este post. A questão é tão complicada, há tantos casos, tantos materiais (embora a maioria seja superficial), que para trazer o conteúdo que eu gostaria, tive de fazer uma longa pesquisa. Mas acho que consegui. O resultado está logo abaixo.

          A situação do índio no Brasil já ganhou status de "Questão". Não porque hoje as políticas indigenistas sejam piores do que antigamente (na verdade, tivemos progressos), mas porque hoje, minimamente (repito, minimamente) é dada alguma importância ao caso. Sabe aqueles dias chatos? Em que não houve chacina, ninguém "importante" morreu, a unha do pé do Brad Pitt não está encravada... bom, nesses dias a mídia lembra da questão indígena.
          O índio sempre foi tratado com descaso no Brasil. Sempre foi tratado como invasor. Hoje, é tratado como invasor de "propriedades" rurais (obtidas por grilagem, em sua maioria). Antes, fora tratado como invasor da colônia. O governo não dá aos índios o direito de posse de suas terras, porque não há "suas terras" - e nunca houve. Desde a chegada dos portugueses, os índios foram despossados, e hoje tentam a reintegração de uma posse que o governo nunca lhes concedeu.
          Mas "o Brasil é nosso, não deles". O erro nesta frase, é que os índios estão inseridos no "eles" e não no "nós". Quer saber de quem NÃO é/era o Brasil? Não era da Coroa Portuguesa, não era do empresário americano, que montou sua sede aqui, e não é dos empresários chineses, que, hoje, compram terras para produção agropecuária. Aliás, o Brasil não é de empresários e nem de empresas, viu, Monsanto? Infelizmente, na prática, o Brasil é, sim, dos ricos, poderosos, empresas, empresários e,  na questão agrária, dos latifundiários.
           O assunto indígena que mais está em pauta nesta semana, é a reinvasão do canteiro de obras da propriedade da usina de Belo Monte, no Alto do Xingu. Não vou comentar sobre o lobby entre construtura e governo, grande motivador da obra. Nem sobre a burrice de se fazer uma hidrelétrica numa bacia de planície. Muito menos comentarei sobre o fato de a usina ter que ficar inoperante por quase metade do ano, devido ao volume de águas do rio, ou sobre os impactos ambientais, ou sobre a imensa área que terá de ser alagada para compensar a ausência de quedas d'água. Vou falar sobre índios, apenas sobre os índios, sem comunidade ribeirinha prejudicada, só índios.

            Há cerca de 28 etnias indígenas vivendo na região do Alto do Xingu, que serão afetadas com a contrução de Belo Monte, seja por desapropriação de terras ou comprometimento do ecossistema local e, assim, de seu estilo de vida. Os índios da etnia Munduruku invadiram, novamente o canteiro de obras de Belo Monte, pedindo diálogo com o governo e consulta para obras e demarcações de terra. Justo não? O governo não acha. Tomou uma postura rígida e posicionou-se contra os mundurukus, chamando-os de "metirosos e trapaceiros". Um evento alarmante, foi quando a polícia queria adentrar o canteiro "invadido" e o líder lhes disse: "Não estamos armados e nem quebrando nada, não tem porquê entrarem.". O policial, apontando para a lança de madeira, disse que estavam armados. O líder então falou "essa é a nossa cultura", e o policial, acariciando sua arma, disse "e esta é a nossa cultura".


http://www.xinguvivo.org.br/2013/05/28/belo-monte-nova-ocupacao-mesmas-demandas-mesmos-problemas/

           Outro assunto em pauta é a PEC 215, que transfere a função de demarcação de terras indígenas da Funai para a câmara dos deputados. Além de absurdamente descabida, a proposta favoreceria os latifundiários, pois é grande o lobby do agronegócio dentro do plenário. Ontem, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, anunciou que a demarcação de terras indígenas será feita, em conjunto, pela Funai (Fundação Nacional do Índio), Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Um único ógão de proteção indígena e três agrários. Meio injusto, não? É dar as terras de bandeja para o agronegócio, e manter a Funai ali, pra inglês e ONU verem...

http://racismoambiental.net.br/2013/05/produtores-rurais-pedem-suspensao-de-demarcacao-de-terras-indigenas-e-ameacam-parar-o-pais-ou-vale-a-segunda-versao/

           Outra manobra política do Agronegócio contra os índios, é a insistência na instauração de uma CPI para investigar a Funai, no intuito de levar a instituição ao descrédito (o que estão conseguindo).

http://oglobo.globo.com/pais/ruralistas-protocolam-requerimento-para-criacao-da-cpi-da-funai-8399262

           Como ressaltei, o problema dos índios (sim, porque não é problema NOSSO. É problema DELES), não é de hoje. Eles também sofreram na ditadura. Só que não foram uns 300 desaparecimentos e torturas. Foi o massacre e EXTERMÍNIO de cerca de 2.000 índios Waimiri-Atroari, que ninguém, até hoje, tinha se dado conta! A etnia quase foi extinta! Tudo pela construção da BR-174. Num dos panfletos distribuídos, na época, à comunidade Waimiri-Atroari contém esta mensagem:

"Guerrilheiro, Lê com atenção esta"mensagem"/ Guarda este panfleto com cuidado / Ele é o teu passaporte para a vida / Estás cercado / Teus momentos estão contados / Vê na operação esboçada que teu fim / Está próximo! / Teus companheiros estão morrendo / Tu mesmo estás ferido / Os soldados brasileiros - teus irmãos / Estão cada vez mais próximos / A aviação te bombardeia sem cessar / Olha a bandeira de teu país / És brasileiro - lembra-te disto / Reflete, pensa bem - o verdadeiro inimigo / Pode estar a teu lado: repudia-o, aprisiona-o, mata-o / Irmão - rende-te / Teu passaporte: esta mensagem / Tua recompensa: a vida / Teu futuro: perdão. Do comandante do teatro de operações"

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/11/12/comissao-da-verdade-apura-mortes-de-indios-que-podem-quintuplicar-vitimas-da-ditadura.htm

            Este massacre feito com uma população inocente, que foi retratada como subversiva. Lembra-me muito Canudos. Pelas minhas contas, esse foi nosso 3º Canudos (sendo o 2º a Revolta do Contestado). Será o 4º, a questão dos Guarani-Kaiowá, que estão sendo tirados de seu território, para serem ou assentados em terras estranhas ou terem a delimitação destas extremamente reduzida? A etnia cujo os líderes estão sendo mortos por fazendeiros. A mesma etnia, ao qual pertencem muitas tribos que estão comentendo suícido coletivo.
Mais sobre a situação dos Guarani-Kaiowá: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=203991&id_secao=8

             Os índios tem uma ligação cultural e de identidade com a terra em que vivem e nós não entenderemos isso nunca.


            Por que os índios não são tratados como brasileiros? Por que não tem os mesmos dieitos humanos que nós? Por que a prioridade é sempre do indivíduo inserido em nossa sociedade? É simples de responder: Na atual sociedade capitalista em que vivemos ninguém é indíviduo. Somos consumidores e eleitores. Consumidores para sustentar o capitalismo, e eleitores para sustentar o Estado que mantém o capitalismo. Os índios não tem dinheiro e nem voto (não são obrigados a votar), então não são nada e nem ninguém. Não tem absolutamente nenhum papel nesta sociedade, e estão sendo tratados como o que representam para o governo: um estorvo. A prova disso, é o ocorrido ano passado, quando um determinado candidato, forneceu gasolina para que os índios fossem à cidade, votar nele, e depois das eleições, os abandonou. À míngua, à fome, e às doenças. Sem ter como voltar para sua aldeia. Afinal, aqueles índios tinham adquirido um valor momentâneo: o de eleitor. Passada a votação, voltaram a ser nada.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1167553-indios-que-ganharam-gasolina-para-votar-nao-tem-como-voltar.shtml

            Com a mesma indignação com que o comecei, encerro este texto.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Tem dias que eu fico pensando na vida...

Tem gente que sabe tanto da vida. Tem gente que sabe tanto do amor. Tem quem saiba tanto de tantas outras coisas e nada dessas duas. Tem ainda, aqueles que sabem apenas de uma. Na verdade, acho que tem quem saiba da vida e do amor, e quem não saiba de nada - apenas sinta.

Lulu Santos sabe da vida. Sabe demais. Ele sabe que não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo. Sabe que o tempo voa, escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir. Sabe que não há tempo que volte e que temos de viver tudo o que há pra viver, nos permitir. Sabe que certas coisas não se diz. Sabe que há ideias que existem na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer, ainda que isso pareça fraqueza. Lulu sabe que ainda levará um tempo pra fechar o que feriu por dentro, e que é natural que seja assim. Esse Lulu Santos sabe da vida, e talvez saiba também do amor.

Tom Jobim não sabe nada. Não sabe nada da vida e nem do amor. Tom Jobim sente demais pra saber alguma coisa.

Tom sente o que é amar por toda a vida, chorar a cada ausência e apagar, a cada volta, o que a ausência lhe causou. Tom sente a eterna desventura de viver a espera de viver ao lado teu, por toda a sua vida.Tom sente a beleza que também passa sozinha. Sente que quando ela passa, o mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor. Sente que sem ela não pode ser. Sente que a realidade é que sem ela não há paz, não há beleza, é só tristeza, e a melancolia que não sai, não sai. Sente que que há menos peixinhos a nadar no mar do que seus beijinhos, e que dentro dos seus braços os abraços hão de ser milhões de abraços, apertado assim, calado assim, colado assim...

Tom sente quanto amor ele guardou sem saber que era só pra você. Sente que só tinha de ser com você, havia de ser pra você, senão era mais uma dor, senão não seria o amor. Tom sente, e só se pode sentir, que as luz dos olhos seus precisa se casar.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim sente, e sente tão certamente, que fundamental é mesmo, o amor, e é impossível ser feliz sozinho. Sei lá, sei lá... só sei que ele está com a razão.

Lulu sabe em português. Tom sente, e sentir é universal.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/05/1285345-vanessa-da-mata-canta-jobim-para-120-mil-pessoas-com-bis-de-30-minutos.shtml

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Capitalismo em Imagens

           Mudando de alhos para bugalhos, o que no final das contas não se distancia tanto neste blog, vamos falar de fotografia.

           Há pouco tempo vi dois ensaios fotográficos independentes e de fotógrafos distintos. Entretanto, tive a impressão de que eles conversavam entre si - é como se um fosse o complemento do outro.

           O primeiro ensaio é do fotojornalista Brian Sokol, e retrata refugiados com os objetos mais importante de suas vidas. O curioso, ou óbvio, é que em todas as fotos os objetos sempre estão relacionados (direta ou indiretamente) com a sobrevivência dos retratados ou de seus entes queridos. É tocante.
Confiram: http://www.hypeness.com.br/2013/03/serie-de-fotos-mostra-refugiados-e-os-objetos-mais-importantes-de-suas-vidas/

           O segundo ensaio, de Gabriele Galimberti, mostra crianças, ao redor do mundo, com seus brinquedos, evidenciando as contrastantes diferenças culturais e financeiras. Uma curiosidade: O fotógrafo sempre brincava com as crianças antes de tirar a foto, e as que se mostravam mais egoístas em dividir seus brinquedos, eram sempre as que mais possuíam.( http://www.hypeness.com.br/2013/03/serie-de-fotos-mostra-criancas-com-seus-brinquedos-ao-redor-do-mundo/)

           A "conversação" nas duas séries vem do fato de que ambas tratam da relação humana com objetos. No primeiro ensaio, percebemos os efeitos do consumismo ao comparar as fotos com nossas próprias vidas. Já no segundo, esses efeitos são evidenciados pelas diferenças entre as próprias fotos.

           Há uma observação, interessante na foto abaixo: A colcha. Note que a colcha da menina indosénia é baseada na bandeira dos EUA. A ironia reside no fato de que a Indonésia é um país pobre, que sofreu as consequências do neoimperialismo capitalista, e os EUA são a representação do capitalismo imperialista em forma de país. Percebe-se que a criança indonésia é de origem humilde (seus brinquedos são basicamente bolas de plástico murchas, e, não sei porque, tenho a impressão de que a cama pertence não apenas a ela, mas a seus pais também), como a maioria da população do país. Agora vejamos os brinquedos do menino do Texas (EUA), provavelmente de classe média, também majoritária no país. Notaram a diferença? Eu comparei com o texano, já que estamos comparando os países, mas pode-se também compará-la  com a garota rica indiana, ou ainda comparar a indiana com as outras milhares de crianças de seu país - o contraste seria ainda maior. 
 
                   
Puput - Bali, Indonésia
Orly - Brownsville, Texas
 
Shaira - Mumbai, Índia
                                                                
             Outra observação interessante, são os brinquedos do garoto ucraniano. O meio influencia o homem, ou, neste caso, a criança. Não, não sou determinista (se acalmem), só fiz uma pequena observação cultural e interessante.
Pavel - Kiev, Ucrânia

               Enfim, este post é sobre o capitalismo. Olhem as fotos e deleitem-se diante do resultado deste brilhante sistema econômico.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cerveja, Maconha ou Cocaína?


            O Brasil tem se mostrado um reaça de primeira - Isso na questão dos Direitos Humanos e das Políticas Antidrogas, indo na contramão da tendência mundial. Mas, deixemos os Direitos Humanos para o próximo post e falemos das drogas.
             A tendência vista mundialmente é a da legalização e regulamentação (isso é indiscutível). Até países mais conservadores e que tem a tradição dos "xerifes policiais", como os EUA, já perceberam o falimento da postura repressora. A repressão não inibe o tráfico, pune o usuário, ao invés de ajudá-lo, e aumenta a violência e o poder de facções e cartéis.
               Portugal é o exemplo do sucesso da política de liberalização e assistência ao usuário. Em 1997, 1% da população era viciada em heroína. Hoje, este número está reduzido à metade, e 35 mil estão em tratamento, além da enorme queda nos índices de violência. "Portugal ataca as drogas, não o viciado" - diz João Goulão responsável pela política antidrogas portuguesa, que legalizou o porte e o consumo. (Mais em http://www.cartacapital.com.br/revista/748/portugal-ataca-a-droga-nao-o-viciado).
               São estes os motivos pelo qual sou a favor da liberação das drogas, como um todo, não apenas da maconha. A maconha é outra história - Sou a favor da liberação porque simplesmente não tem o menor sentido legalizar o álcool (que é muito mais nocivo ao cérebro e causa problemas sociais como a violência doméstica, acidentes de trânsito, etc) e o tabaco (nem preciso comentar, né?), mas proibir o uso da maconha. Além da incoerência, ainda temos o fato de que obrigamos os usuários a buscarem o produto com o tráfico - dando dinheiro a este, e facilitando a introdução à drogas mais pesadas. http://www.cartacapital.com.br/revista/748/legalizem-as-drogas
                De volta ao Brasil, ontem (22/05) foi aprovado um projeto que endurece as penas contra traficantes , legitimiza a internação compulsória e não faz nada em relação ao álcool. No texto original, fabricantes brasileiras deveriam imprimir rótulos alertando sobre os riscos do consumo de álcool. Curiosamente, esta foi a única parte do projeto barrada. O deputado Beto Mansur (PP-SP) justifica da seguinte maneira: "Não será esse texto no rótulo que vai resolver o problema do consumo de bebida alcoólica e só vai prejudicar o setor.". O peixe morre pela boca. Se o rótulo não fará diferença, de que maneira prejudicaria o setor? E se a preocupação é com a desvantagem da indústria nacional, por que não fazer com que produtos alcoólicos estrangeiros também precisem do rótulo de advertência? Criolo explica:
"O dinheiro da cachaça vai pra comunidade
Alcoolismo é doença, mas a safadeza filho
Da galera que apoia, você não acha esquisito?
O governo libera porque lucra com isso
E a gente toma cachaça até no aniversário de Cristo."

"Fala pra mim qual das três é mais vendida: Cerveja, Maconha ou Cocaína?"


Leia mais em: http://www.cartacapital.com.br/politica/congresso-endurece-lei-antidrogas-mas-nao-faz-alerta-sobre-alcool-3270.html

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Livros e relacionamentos mornos

            Tenho percebido que o assunto "relacionamentos mornos" tem sido muito recorrente em minhas conversas. Não sei se é por causa da idade, das amizades ou do que quer que seja. O fato é que todo mundo sabe da existência de inúmeros relacionamentos mornos por aí. Sinceramente, eu não entendo o porquê de se continuar com alguém por comodidade ou conforto - nunca passei por uma situação parecida. Mas chega de relacionamentos. Agora vamos pra parte dos livros:

            A minha história com esse livro é longa: comprei-o por volta de maio do ano passado; já data um ano. Foi amor à primeira vista! Lembro como se fosse hoje: estava na Saraiva do Shopping Pátio Paulista, na seção de economia. quando ele olhou pra mim - aquela capa linda, com um título atraente "O Enigma do Capital e as Crises do Capitalismo". Olhei-o mais de perto, li a sinopse, vi o autor (David Harvey), senti o cheiro, folheei, olhei o preço - hesitei. Avaliei o custo benefício. Achei justo. Pago o valor e ganho pra mim, só pra mim, aquele livro lindo pelo qual me apaixonei. Feito. Comprei o livro.
            Saí da livraria empolgada. Nem esperei chegar em casa, comecei a lê-lo no ônibus mesmo! Aliás, na fila do ônibus eu já lia o prólogo. Toda feliz, contei pros amigos, coloquei no status do facebook, mostrei pra minha família, era alegria que só. Eu o levava para todo lugar, e fazia questão que todos me vissem lendo-o - desfilava com ele! Um chamego, eu e aquele livro.
            Até que chegou julho e tivemos nossa primeira crise. Com cerca de 5 ou mais livros obrigatórios para ler, fora o conteúdo a estudar, fiquei sem tempo para ele. Me sentia culpada. Queria lê-lo mas tinha que cumprir minha obrigações. Agora você me pegunta "E os sábados à noite? E às sextas-feiras? Você não podia ter deixado de ir àquelas festas?". É, podia. Mas não posso abandonar meus amigos. Eu queria ler o livro, mas também queria sair com meus amigos. E domingo, bem, domingo é do Faustão e da família. Tirava uma meia horinha pro meu livro, de vez em quando, aos domingos.
            Tadinho. Ficou triste. Depois de um tempo de crise, passada a época apertada de provas, pensei: Finalmente, terei tempo para o meu livro! Foi felicidade de novo! Como sempre a volta é muito gostosa. Matamos às saudades. Li logo um capítulo todo de uma vez. Mas, uma semana depois, eu não queria mais ler um capítulo por dia... queria ler 10 páginas. Depois de outra semana, eu lia 5 páginas ao dia. Findo um mês, lia dia sim, dia não. Depois de uns 3 meses, 5 páginas, uma vez por semana, estava bom. Hoje, leio quando me dá vontade. Ou melhor, acho que leio mais porque tenho que acabar do que por vontade.
             Cheguei naquele patamar em que tem dias que você até quer ler o livro, mas quer tantas outras coisas, e tem dias que você não quer nem vê-lo. Levo o meu livro para quase todos os cantos, exceto festas e rolês. Me sinto culpada se não o faço. Tento criar uma rotina de ler um subcapítulo de umas 4 páginas algumas vezes na semana. Não que eu esteja morrendo de vontade de fazê-lo; mas já estou há muito tempo com ele, já li tantas coisas, faltam apenas alguns capítulos e o que eu falaria para as pessoas que sabem que o estou lendo? Que larguei o livro na metade? Não vou fazer isso, não por um impulso. Não é que eu não goste dele. Eu gosto. O autor é bom, o livro é bom. Quando o leio, até sinto prazer. É o tipo de assunto que gosto. Vou até o final.
             Sim, vou até o final. Aliás, acho até que vou lê-lo agora e lerei 2 subcapítulos! Leio uma página e verifico quantas faltam para o final do subcapítulo. Leio outra página, e acesso a internet. Leio mais uma página e respondo uma mensagem. Leio... espera, o que estava escrito no parágrafo anterior, mesmo? Volto, releio. E o subcapítulo não acaba nunca. E aquela conversa ontem... estou com fome... livro, tá, o livro. Ufa, acabou o subcapítulo. Acho que não vou ler o outro hoje. Chego em casa. Há tantos livros que quero ler! Vou à livraria e me apaixono por um livro do Chico Buarque, tão lindo, tão delicado. Cheira a poesia... Não! Tenho que terminar o outro primeiro. Então, compro o livro do Chico e mantenho-o na minha estante. Quem sabe um dia...
             Voltando ao assunto dos relacionamentos, não entendo porque uma pessoa mantém um relacionamento morno.

domingo, 19 de maio de 2013

Achado Musical - Vinícius Calderoni

       Estava eu, assistindo a um episódio do seriado "Louco Por Elas" desta semana, quando me deparo com um personagem fofo de músicas lindas (primo Eduardinho). Tive a certeza de que o ator era, na verdade, um cantor que interpretava a si próprio, e de que as músicas eram boas demais para serem apenas parte do script. Dito e feito - foi assim que descobri Vinícius Calderoni.
      Com músicas lindas, letras fofas, melodias deliciosas e um álbum encantador, Vinícius Calderoni foi uma ótima surpresa - um achado! Eu diria que ele é um misto da versão masculina da Clarice Falcão com uma "Banda Mais Bonita da Cidade de uma pessoa só", acrescido de um quê de Nando Reis.
      No site http://viniciuscalderoni.com.br/ podemos degustar de algumas ótimas músicas (embora minhas duas preferidas não estejam disponíveis para tal fim), ver novidades, conferir agenda, e comprar o download do álbum "Para Abrir os Paladares" - com dinheiro ou divulgação no facebook e no twitter (sim, é só dar o "like" mais do que merecido para fazer o download).


Mais do que recomendo - Ouço, sonho, digiro e acrescento apenas minhas impressões de encantamento. Abram seus paladares e degustem um álbum delicioso. Ah! E se, ainda assim, não acordou pro que virá, goteiras de pirlimpimpim vão te atingir.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Antropofagia Geral - O mais novo blog antigo.

Andei pensando em fazer um blog. Mas, péra... eu já tinha um blog. Então, por que não usá-lo? Ah, mas o blog antigo não tem nada a ver com o blog que quero agora. Eu mudei muito, os assuntos vão mudar, o mundo mudou, o blog tem que mudar... Sim, mudar. O antigo tem que se transformar no novo. Eu, nova, peguei o conteúdo antigo, digeri e regurgitei a versão do antigo modificado pelo novo. E foi assim que surgiu o Antropofagia Geral. Alguns devem conhecê-lo como Rock'n'Roll Train. Bom, o blog amadureceu, é menos Rock'n'Roll, e mais Train. Os assuntos agora são outros. As músicas, diferentes. A autora, mais autora.


Por que "Antropofagia Geral"?

Bem, é tudo uma referência ao tropicalismo, e à mim mesma.

"Antropofagia" é um termo criado pelo grande Oswald de Andrade, para denominar o processo criativo brasileiro, que pega algo já conhecido (Oswald se referia à cultura europeia) e o transforma em algo novo, adicionando características próprias e criando, assim, a cultura nacional. Na verdade, antes do termo "Antropofagia", surgiu o "Movimento Antropofágico", que Oswald e Raul Bopp criaram quando, em 1928, Tarsila do Amaral foi lhes mostrar seu quadro "Abaporu" (que em tupi-guarani significa "antropófago"). Mais tarde, o processo "antropofágico" foi usado, não apenas como referencial, mas também na construção do movimento tropicalista. Para saber mais - http://goo.gl/tPKhX.

"Geral" faz referência à música do Gil, "Geleia Geral", criada durante o tropicalismo, cujo o título foi usado frequentemente para descrevê-lo.



"Então, o blog vai falar sobre tropicalismo?"
 - Não.

"Antropofagia Geral" é porque, além de eu amar o movimento tropicalista, descreve exatamente o que será o Blog. Pegarei conteúdos gerais (diversos assuntos, como política, música, poesia, literatura, sociologia) e digerirei à meu modo, regurgitando, aqui, minhas reflexões, impressões e todo conteúdo antropofágico.

O "Antropofagia Geral", que nasceu de um processo antropofágico, e fará antropofagismos gerais, dá as boas vindas aos novos leitores. Aos antigos, bom, "É tudo novo de novo"! Vocês poderão encontrar algumas postagens do blog antigo, que optei por deixar aqui. Caso queiram lê-las, deem um desconto à menina de 16 anos que as escreveu! O blog será atualizando semanalmente. Ou mais de uma vez por semana. O quando me der vontade!

E viva a Bossa, sa, sa! Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça!