Tem coisas que são óbvias. E que a gente sempre sabe na teoria, mas dificilmente aplica na prática. São coisas que estão nesses textos sobre a vida, que a gente lê, pensa e em seguida esquece. E é normal que seja assim. Porque não dá pra aprender a viver com livros. Viver se aprende na prática, e a teoria vem depois. Aprender na vida, só se for na tentativa e erro.
Um dia li que os melhores livros são aqueles que falam coisas que a gente já sabe. Acho que é assim com os textos também, pelo mesmo motivo que Quintana diz que os poetas que nos agradam são os que nos são espelho.
Um tema que tem me voltado constantemente à cabeça é como lidar com as nossas experiências. Por um bom tempo, achei que o segredo estava em não repetir as ruins. E faz sentido. Mas é um erro dos maiores na vida pensar que é possível repetir alguma experiência. A vida é como o rio de Heráclito: nunca passam as mesmas águas. Cada experiência nova, é uma experiência nova. Óbvio, não? Mas quem lê, concorda e logo esquece. Porque não vivenciou e, portanto, não entendeu o real significado dessa regra.
Como diz Cartola, que escreve músicas como quem sabe muito da vida (porque ele sabe mesmo), "já anuncias a hora da partida, sem saber mesmo o rumo que irás tomar". É isso o que fazemos quando tentamos não repetir experiências. Achamos que sabemos o rumo que as coisas irão tomar. Mas a verdade é que não sabemos. Não sabemos de nada! E se não admitirmos isso para nós mesmos, não conseguiremos aproveitar as novas experiências. Vamos nos privar de viver. E isso é coisa de gente careta e covarde, como bem sabe Cazuza. Porque, infelizmente ou felizmente, a vida envolve pessoas, ventos e um pouco de sorte, todas variantes subjetivas, e escapa ao nosso controle, nos trazendo surpresas maravilhosas mas também decepções enormes, e não é possível adivinhar qual das duas faces os ventos nos trarão.
Ficar conjecturando sobre o futuro, com base no passado é não viver o presente. É querer determinar o indeterminável. É bobeira, muita bobeira, não viver a realidade.