segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Preste atenção, amor: O Mundo é um Moinho

Tem coisas que são óbvias. E que a gente sempre sabe na teoria, mas dificilmente aplica na prática. São coisas que estão nesses textos sobre a vida, que a gente lê, pensa e em seguida esquece. E é normal que seja assim. Porque não dá pra aprender a viver com livros. Viver se aprende na prática, e a teoria vem depois. Aprender na vida, só se for na tentativa e erro.
Um dia li que os melhores livros são aqueles que falam coisas que a gente já sabe. Acho que é assim com os textos também, pelo mesmo motivo que Quintana diz que os poetas que nos agradam são os que nos são espelho.
Um tema que tem me voltado constantemente à cabeça é como lidar com as nossas experiências. Por um bom tempo, achei que o segredo estava em não repetir as ruins. E faz sentido. Mas é um erro dos maiores na vida pensar que é possível repetir alguma experiência. A vida é como o rio de Heráclito: nunca passam as mesmas águas. Cada experiência nova, é uma experiência nova. Óbvio, não? Mas quem lê, concorda e logo esquece. Porque não vivenciou e, portanto, não entendeu o real significado dessa regra.
Como diz Cartola, que escreve músicas como quem sabe muito da vida (porque ele sabe mesmo), "já anuncias a hora da partida, sem saber mesmo o rumo que irás tomar". É isso o que fazemos quando tentamos não repetir experiências. Achamos que sabemos o rumo que as coisas irão tomar. Mas a verdade é que não sabemos. Não sabemos de nada! E se não admitirmos isso para nós mesmos, não conseguiremos aproveitar as novas experiências. Vamos nos privar de viver. E isso é coisa de gente careta e covarde, como bem sabe Cazuza. Porque, infelizmente ou felizmente, a vida envolve pessoas, ventos e um pouco de sorte, todas variantes subjetivas, e escapa ao nosso controle, nos trazendo surpresas maravilhosas mas também decepções enormes, e não é possível adivinhar qual das duas faces os ventos nos trarão.
Ficar conjecturando sobre o futuro, com base no passado é não viver o presente. É querer determinar o indeterminável. É bobeira, muita bobeira, não viver a realidade.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Não quero Rodas ditador, quero votar pra reitor!


Todos já sabemos e esperamos o posicionamento de jornais como "Folha de S. Paulo", mas a matéria publicada no domingo foi uma amostra escancarada disso. A disposição das fotos, as palavras escolhidas, sem contar a entrevista do REItor João Grandino Rodas, coberta de confetes. A ocupação tem um blog (ocupacaousp2013.wordpress.com) onde publica informes oficiais e explicações de nossas exigências e motivos, e, ou a Folha não o consulta, ou o consulta e faz questão de ignorá-lo.

"Também nesta semana, Rodas viu cerca de 500 alunos invadirem a reitoria porque são contra o processo de escolha do reitor. "Seria proveitoso se a postura de 'ser contrário a tudo' fosse substituída por postura firme de reivindicações e de colaboração", analisa.

Os manifestantes representam 0,51% dos mais de 92 mil alunos. "A grande maioria dos uspianos e da sociedade civil está cansada desse método violento e ilegal utilizado por certas minorias", diz."

A grande maioria da comunidade USPiana está em GREVE, sr. Reitor. A grande maioria da comunidade USPiana quer DIRETAS JÁ. E a Folha sabe disso.

Não bastando, me deparo com esta reportagem na página principal da seção "Cotidiano", que busca legitimar o atual processo de escolha do REItor.

"Políticos indicam 1 em cada 5 diretores de escolas públicas"
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/10/1352772-politicos-indicam-1-em-cada-5-diretores-de-escolas-publicas.shtml

A USP tem um dos processos de escolha mais antidemocráticos do país, na qual apenas 2% da comunidade USPiana pode participar, excluindo TOTALMENTE alunos, funcionários (da USP e terceirizados) e professores não efetivos (Na EACH, por exemplo, os professores não efetivos representam cerca de 80% do corpo docente).

Além de tudo, são mais do que Diretas. Os cursos de humanas, por exemplo, passam por um intenso processo de precarização. Os funcionários terceirizados são cerceados de diversos direitos, e a USP compactua com essas empresas. A Universidade passa por uma fase de intensa repressão e perseguição política, e isso se dá com alunos, professores e funcionários. 3 funcionários estão sofrendo processos administrativos por adesão à greve, sem contar os 70 alunos processados pela ocupação da reitoria.

Como se não bastasse a USP serve cada vez menos à comunidade. A universidade cercada de muros e cheia de catracas cerceia o acesso da população à seus espaços. Quer dizer, a população do Estado de São Paulo inteira paga pela manutenção da Universidade para ter cada vez menos acesso à ela. Como se já não bastasse à restrição ao ensino, imposta por um vestibular elitista, agora temos políticas, reforçadas pelo Dr. João Grandino Rodas, que restringem também o acesso ao espaço da Universidade! E mais, os alunos também sofrem esse processo de políticas restritivas à ocupação de espaços. O objetivo da REItoria é transformar a USP num espaço exclusivamente acadêmico e elitista, sendo que não é essa a função da Universidade.

Há, ainda, um péssimo programa de permanência. O Crusp é insuficiente e abandonado. Gostaria de saber como o senhor REItor espera que todos tenham acesso à universidade, se não há moradia estudantil o suficiente, e a que temos peca na qualidade dos prédios antigos e mal estruturados. Estuda, portanto, o filho da família que tem dinheiro para bancar seus estudos.

Não estamos contando os casos de estupro, machismo, racismo, homofobia e assédio que acontecem na universidade todos os dias e para os quais o REItor dá as costas. O Campus do Butantã é extremamente mal iluminado e conta com uma frota de circulares insuficientes, o que expõe as alunas, professoras e funcionárias à situações de perigo, assédio e violência todos os dias. Alunos realizam trotes absurdos, subjugando e violentando fisicamente e moralmente outros alunos e a universidade fecha os olhos. Porque se manifestar não pode, mas bater num negro sem absolutamente nenhum motivo, apenas pelo uso de uma quadra, pode.

É nessa universidade que estudamos/vivemos. Nessa universidade BRANCA e ELITIZADA, onde os negros nos cursos de maior prestígio representam 1% do total e a direção se nega a implantar sistema de cotas. Nessa universidade, onde o REItor compra caviar, vinho importado e um tapete de valor exorbitante, mas não tem verba o suficiente para a permanência estudantil. Nessa universidade onde sofremos violências de diversos tipos todos os dias: Pela força coercitiva da PM no Campus, pela exposição ao assédio moral e sexual, pela disseminação de preconceitos e pela perseguição política. E imagino que falo por mim, e com certeza por MUITO mais do que 0,51% dos alunos, quando digo que NÃO É MAIS ESSA UNIVERSIDADE QUE QUEREMOS.

domingo, 11 de agosto de 2013

Mais "senso" e menos "humor", por favor!

"Qual é a semelhança entre a mulher e o macarrão?
Os dois você enrola primeiro e depois come!"

HAHAHA! Engraçado, não é? NÃO, moçxs. Isso não é engraçado - é preconceituoso. É machista. Aposto que você, que leu e riu dessa piada, nem sequer se considera machista. Mas vai contá-la, reproduzi-la, e provocar risos e mais risos com a disseminação de um preconceito.  "Mas é SÓ UMA PIADA", muitos dirão, "é só uma 'inocente' piada"...

"A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito" - Denis Diderot.

Como será que se transmite uma cultura? Como se transmite um pensamento? Vocês realmente acham, que o pai do pai de vocês, e assim por diante diziam, enfaticamente, que lugar de mulher é dentro de casa? Que mulher serve pra comer e fazer comida? Aliás, o pai de vocês (aproveitando o ensejo da data) dizia-lhes: "Se a mulher responder, dá umas palmadas!" ou "mulher server pra dar, procriar e cuidar do homem". Aposto que não. Então, por que ainda temos casos de estupros em que mulheres são culpabilizadas por "não se darem ao respeito"? Por que temos homens e, pasmem, MULHERES que dizem "Ah, é errado bater na mulher, mas tem mulher que merece apanhar!"? Por que o papai parabeniza o filho que "come todas" e zela pela virgindade da pobre filhinha?

Há dois meios de disseminação de cultura de pensamento: Abertamente ou veladamente. Abertamente, todos sabemos como é: destilar frases e comportamentos ofensivos. Mas, como se dissemina preconceito veladamente? Através do humor, da licença artística, dos brinquedos sexistas. A cada conjunto de panelinhas, barbies e vassourinhas que se dá para uma menina, a cada piada contada no bar, a cada personagem caricato na novela, o preconceito é transmitido, de geração para geração. E nisto, podemos enquadrar qualquer tipo de preconceito: O machismo, através de piadas como as citadas acima, a homofobia, com personagens gays caricatos que tanto vemos nas novelas globais, o racial ("O que mais brilha num negro? As algemas!" - HAHA) e o preconceito de classes.

Atualmente, temos dois grandes representantes da disseminação de preconceito: os ENGRAÇADÍSSIMOS Rafinha Bastos e Danilo Gentili. Esses dois são realmente BONS no que fazem! Eles conseguem fazer piadas hilárias difusoras de pensamentos machistas, homofóbicos, racistas, classe-medistas e elitistas, usando o escudo do "humor politicamente incorreto". Pra começar que o termo "politicamente correto" foi criado nos EUA, como arma da direita na guerra cultural, e é, até hoje, pejorativo e usado para desqualificar o comportamento não preconceituoso e legitimar o preconceito - afinal, se é isso o que pensamos, o que achamos engraçados, por que escondermo-nos atrás de carapuças "politicamente corretas"? Outro ator na cena do "humor politicamente incorreto" tem dado suas caras: o global Porta dos Fundos.

                                      

A livre e aberta disseminação de preconceito e discurso de ódio também tem cada vez mais se legitimado através de falsos conceitos e interpretações. Nos últimos anos páginas, sites e blogs preconceituosos se multiplicaram na internet protegidos pelo argumentos da "Liberdade de Expressão". Impulsionados e amparados por discursos semelhantes de figuras públicas como Bolsonaro, Malafaia e Feliciano, a sensação de impunidade dá o "aval" para que grupos neonazistas, fascistas ou simplesmente indivíduos preconceituosos se manifestem abertamente - "sem medo de ser feliz". Liberdade de expressão não deve ser confundida com liberdade de "discurso de ódio" - o seu direito de expressão acaba quando o direito à não discriminação do outro começa. Racismo é crime. Infelizmente, nosso código penal ainda não trata de homofobia e machismo, mas esse é uma luta nossa!

Páginas como a "Orgulho de ser Hétero" PRECISAM acabar! O humor preconceituoso TEM, SIM, de ser censurado. Não podemos aceitar que Felicianos e Malafaias falem pela boca sorrateira do humor, ou protejam-se nas barras da "liberdade de expressão". O Brasil é um país culturalmente e essencialmente machista, racista e homofóbico - enfim, conservador, e para transformar a sociedade é necessário começar pelo pensamento do cidadão.

Pra encerrar, uma música da Lily Allen, absolutamente pertinente:

                                     

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sobre o Estatuto da Juventude

Na segunda-feira, dia 5 de agosto, a presidenta Dilma Rousseff sancionou, com dois vetos, o Estatuto da Juventude. O Estatuto trata de políticas afirmativas para a juventude, no sentido de ratificar seus direitos e garantir apoio às organizações juvenis. É claro que esta medida representa um "afago na cabeça da juventude", devido às manifestações de junho. Contudo, o Estatuto entrará em vigor ainda este ano, e é preciso dimensionar o avanço (ou retrocesso) que ele representa.


Nestes dias, ouviram-se muitas críticas ao referido Estatuto, devido à limitação da venda de ingressos no valor de meia-entrada à 40% do total. Mas, lembremos: estamos tratando de um Estatuto, não de um projeto de lei! Há mais fatores e disposições a serem consideradas do que apenas um inciso. Analisemo-os, então, por completo:

O Estatuto da Juventude pauta-se por 8 princípios, sendo estes:
 I - promoção da autonomia e emancipação dos jovens;
 II - valorização e promoção da participação social e política, de forma direta e por meio de suas representações;
 III - promoção da criatividade e da participação no desenvolvimento do País;
 IV - reconhecimento do jovem como sujeito de direitos universais, geracionais e singulares;
 V - promoção do bem-estar, da experimentação e do desenvolvimento integral do jovem;
 VI - respeito à identidade e à diversidade individual e coletiva da juventude;
 VII - promoção da vida segura, da cultura da paz, da solidariedade e da não discriminação; e
 VIII - valorização do diálogo e convívio do jovem com as demais gerações.
Pode-se identificar, no decorrer do documento, diversos pontos que indicam ações afirmativas, principalmente quanto à inclusão social. O Estatuto estende o direito à meia-entrada para jovens de baixa renda (com renda familiar inferior à dois salários mínimos), além de garantir a este mesmo público 2 assentos gratuitos, e 2 disponíveis por 50% do valor, em ônibus interestaduais.

Merece também destaque o 8º artigo, que trata estritamente de políticas educacionais, visando a inclusão e o direito à universidade:
 Art. 8o  O jovem tem direito à educação superior, em instituições públicas ou privadas, com variados graus de abrangência do saber ou especialização do conhecimento, observadas as regras de acesso de cada instituição.
 § 1o  É assegurado aos jovens negros, indígenas e alunos oriundos da escola pública o acesso ao ensino superior nas instituições públicas por meio de políticas afirmativas, nos termos da lei.
 § 2o  O poder público promoverá programas de expansão da oferta de educação superior nas instituições públicas, de financiamento estudantil e de bolsas de estudos nas instituições privadas, em especial para jovens com deficiência, negros, indígenas e alunos oriundos da escola pública.
Podemos notar que o 1º e o 2º incisos reforçam o direito e a necessidade da inclusão universitária, por meio de políticas afirmativas, como as cotas. Isso, num país onde as cotas (sociais e "raciais") não são amplamente aceitas, sofrendo forte resistência por parte das elites, essas mesmas que têm o referido acesso à universidade, é uma vitória e tanto! Jovens, comemoremos!

Ainda na seção de Educação, temos um artigo tratando da obrigatoriedade das universidades de oferecerem políticas de assistência e permanência:

 Art. 13.  As escolas e as universidades deverão formular e implantar medidas de democratização do acesso e permanência, inclusive programas de assistência estudantil, ação afirmativa e inclusão social para os jovens estudantes.

E, para deleite dos militantes pela democratização nas universidades e escolas:


 Art. 12.  É garantida a participação efetiva do segmento juvenil, respeitada sua liberdade de organização, nos conselhos e instâncias deliberativas de gestão democrática das escolas e universidades.

Faz-se também necessário observar que há uma seção tratando apenas dos direitos dos jovens à cidadania, à participação social e política e à representação juvenil. Uma seção inteira para isso. O jovem DEVERÁ ser notado e ouvido. Esta seção representa a tirada do jovem da marginalidade social e política. Agora, o Estado e seus governantes deverão ouvir a juventude, e tratar-lhes como agente político, GARANTINDO seu direito de organização. Conseguem compreender o TAMANHO do avanço que obtivemos aqui? Para coroar esta seção, temos o parágrafo único:

 "Parágrafo único.  É dever do poder público incentivar a livre associação dos jovens."

#ChupaAlckmin #ChupaCabral #ChupaRodas #ChupaPM #ChupaTodoMundo


Há ainda, na seção do "Direito à Profissionalização, ao Trabalho e à Renda", a obrigatoriedade da compatibilidade do trabalho com o horário de estudo. Quem trabalha e estuda, ou já o fez, sabe da urgência desta medida:

Art. 15 (...)
 II - oferta de condições especiais de jornada de trabalho por meio de:
 a) compatibilização entre os horários de trabalho e de estudo;
 b) oferta dos níveis, formas e modalidades de ensino em horários que permitam a compatibilização da frequência escolar com o trabalho regular;
Arrisco-me a dizer também, que a seção "Do Direito à Segurança Pública e ao Acesso à Justiça" pode representar certa base para a não redução da maioridade penal, dando indícios do posicionamento do governo e fornecendo base argumentativa e de garantia de direitos. Mas, isto é uma interpretação pessoal.

Falando agora da polêmica das carteirinhas e meia-entrada, tivemos mesmo um retrocesso e uma área de risco. O retrocesso é o presente que o Governo Federal deu à indústria da cultura, ao limitar a venda da meia-entrada à 40% do total. Como se já não lucrassem o suficiente, agora garantirão uma margem ainda maior de lucro e trambicagem - sim, trambicagem, pois o documento não trata de fiscalização (que, na verdade, não é possível em sua totalidade), portanto, quando o cara do guichê disser "já esgotamos os 40%", quem vai dizer que não?

A área de risco está na possível superlativização da UNE/UBES, que já vem sendo a "queridinha" do governo há um tempo. É preciso frisar que a única entidade juvenil citada no documento é a UNE/UBES, dando a entender que é a única reconhecida oficialmente pelo governo. Ao contrário do que pensam alguns, o Estatuto da Juventude não garante o monopólio das carteirinhas à UNE/UBES, mas tendencia para esta postura, como pode-se verificar abaixo:

 § 2o  A CIE (Carteira de Identificação Estudantil) será expedida preferencialmente pela Associação Nacional de Pós-Graduandos, pela União Nacional dos Estudantes, pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e por entidades estudantis estaduais e municipais a elas filiadas.

"Preferencialmente" não é "obrigatoriamente", mas, ainda assim, é preocupante. É preciso também lembrar, que o Estatuto garante a gratuidade da expedição da CIE para jovens de baixa renda (muito embora eu pense que ninguém deveria pagar por uma carteira estudantil). Deve-se tomar cuidado para que a UNE/UBES não se torne a única entidade estudantil reconhecida, empurrando ainda mais para a marginalidade as demais entidades e movimentos estudantis.


Nas disposições finais do Estatuto fala-se da criação do Sinajuve (Sistema Nacional de Juventude), sendo que sua competência, financiamento e organização serão definidas em regulamento (ou seja, ninguém sabe ainda do que se tratará o Sinajuve), e dos chamados "Conselhos da Juventude", que serão "órgãos permanentes e autônomos, não jurisdicionais, encarregados de tratar de políticas públicas de juventude e da garantia do exercício dos direitos do jovem". Temos, no entanto, um inciso dizendo:

 § 1o  A lei, em âmbito federal, estadual, do Distrito Federal e municipal, disporá sobre a organização, o funcionamento e a composição dos conselhos de juventude, observada a participação da sociedade civil mediante critério, no mínimo, paritário com os representantes do poder público.

Os conselhos não serão, portanto, de todo autônomos e independentes, não é?


É preciso atentar para o fato de que os Conselhos da Juventude não serão organizações estudantis ou movimentos sociais, portanto, não devem jamais substituir os tais. Apesar de louvável a iniciativa de sua criação, que reforça o desejo de efetivo cumprimento do estatuto e incorpora o jovem como agente político e ativo às instituições sociais definitivamente, o Conselho é, ainda, "subordinado", de certa forma, ao Estado.

O saldo do Estatuto da Juventude pode ser muito positivo, se suas disposições e políticas saírem do papel e se os riscos forem muito bem observados e cuidados. Cautela, comemoração e "mãos à obra", são minhas recomendações.

Veja o Estatuto da Juventude na íntegra: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12852.htm

terça-feira, 30 de julho de 2013

Eu, amor, passarinho

Porque o amor é assim,
como eu, passarinho
livre pra voar
e cantar mansinho, ao pé do ouvido.

Porque o amor é assim,
grande demais pra ficar preso
- pesa na gente
Deixa o amor livre,
Que o amor também deixa a gente
levemente,
livremente,
lentamente...