
Todos já sabemos e esperamos o posicionamento de jornais como "Folha de S. Paulo", mas a matéria publicada no domingo foi uma amostra escancarada disso. A disposição das fotos, as palavras escolhidas, sem contar a entrevista do REItor João Grandino Rodas, coberta de confetes. A ocupação tem um blog (ocupacaousp2013.wordpress.com) onde publica informes oficiais e explicações de nossas exigências e motivos, e, ou a Folha não o consulta, ou o consulta e faz questão de ignorá-lo.
"Também nesta semana, Rodas viu cerca de 500 alunos invadirem a reitoria porque são contra o processo de escolha do reitor. "Seria proveitoso se a postura de 'ser contrário a tudo' fosse substituída por postura firme de reivindicações e de colaboração", analisa.
Os manifestantes representam 0,51% dos mais de 92 mil alunos. "A grande maioria dos uspianos e da sociedade civil está cansada desse método violento e ilegal utilizado por certas minorias", diz."
A grande maioria da comunidade USPiana está em GREVE, sr. Reitor. A grande maioria da comunidade USPiana quer DIRETAS JÁ. E a Folha sabe disso.
Não bastando, me deparo com esta reportagem na página principal da seção "Cotidiano", que busca legitimar o atual processo de escolha do REItor.
"Políticos indicam 1 em cada 5 diretores de escolas públicas"
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/10/1352772-politicos-indicam-1-em-cada-5-diretores-de-escolas-publicas.shtml
A USP tem um dos processos de escolha mais antidemocráticos do país, na qual apenas 2% da comunidade USPiana pode participar, excluindo TOTALMENTE alunos, funcionários (da USP e terceirizados) e professores não efetivos (Na EACH, por exemplo, os professores não efetivos representam cerca de 80% do corpo docente).
Além de tudo, são mais do que Diretas. Os cursos de humanas, por exemplo, passam por um intenso processo de precarização. Os funcionários terceirizados são cerceados de diversos direitos, e a USP compactua com essas empresas. A Universidade passa por uma fase de intensa repressão e perseguição política, e isso se dá com alunos, professores e funcionários. 3 funcionários estão sofrendo processos administrativos por adesão à greve, sem contar os 70 alunos processados pela ocupação da reitoria.
Como se não bastasse a USP serve cada vez menos à comunidade. A universidade cercada de muros e cheia de catracas cerceia o acesso da população à seus espaços. Quer dizer, a população do Estado de São Paulo inteira paga pela manutenção da Universidade para ter cada vez menos acesso à ela. Como se já não bastasse à restrição ao ensino, imposta por um vestibular elitista, agora temos políticas, reforçadas pelo Dr. João Grandino Rodas, que restringem também o acesso ao espaço da Universidade! E mais, os alunos também sofrem esse processo de políticas restritivas à ocupação de espaços. O objetivo da REItoria é transformar a USP num espaço exclusivamente acadêmico e elitista, sendo que não é essa a função da Universidade.
Há, ainda, um péssimo programa de permanência. O Crusp é insuficiente e abandonado. Gostaria de saber como o senhor REItor espera que todos tenham acesso à universidade, se não há moradia estudantil o suficiente, e a que temos peca na qualidade dos prédios antigos e mal estruturados. Estuda, portanto, o filho da família que tem dinheiro para bancar seus estudos.
Não estamos contando os casos de estupro, machismo, racismo, homofobia e assédio que acontecem na universidade todos os dias e para os quais o REItor dá as costas. O Campus do Butantã é extremamente mal iluminado e conta com uma frota de circulares insuficientes, o que expõe as alunas, professoras e funcionárias à situações de perigo, assédio e violência todos os dias. Alunos realizam trotes absurdos, subjugando e violentando fisicamente e moralmente outros alunos e a universidade fecha os olhos. Porque se manifestar não pode, mas bater num negro sem absolutamente nenhum motivo, apenas pelo uso de uma quadra, pode.
É nessa universidade que estudamos/vivemos. Nessa universidade BRANCA e ELITIZADA, onde os negros nos cursos de maior prestígio representam 1% do total e a direção se nega a implantar sistema de cotas. Nessa universidade, onde o REItor compra caviar, vinho importado e um tapete de valor exorbitante, mas não tem verba o suficiente para a permanência estudantil. Nessa universidade onde sofremos violências de diversos tipos todos os dias: Pela força coercitiva da PM no Campus, pela exposição ao assédio moral e sexual, pela disseminação de preconceitos e pela perseguição política. E imagino que falo por mim, e com certeza por MUITO mais do que 0,51% dos alunos, quando digo que NÃO É MAIS ESSA UNIVERSIDADE QUE QUEREMOS.
"Também nesta semana, Rodas viu cerca de 500 alunos invadirem a reitoria porque são contra o processo de escolha do reitor. "Seria proveitoso se a postura de 'ser contrário a tudo' fosse substituída por postura firme de reivindicações e de colaboração", analisa.
Os manifestantes representam 0,51% dos mais de 92 mil alunos. "A grande maioria dos uspianos e da sociedade civil está cansada desse método violento e ilegal utilizado por certas minorias", diz."
A grande maioria da comunidade USPiana está em GREVE, sr. Reitor. A grande maioria da comunidade USPiana quer DIRETAS JÁ. E a Folha sabe disso.
Não bastando, me deparo com esta reportagem na página principal da seção "Cotidiano", que busca legitimar o atual processo de escolha do REItor.
"Políticos indicam 1 em cada 5 diretores de escolas públicas"
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/10/1352772-politicos-indicam-1-em-cada-5-diretores-de-escolas-publicas.shtml
A USP tem um dos processos de escolha mais antidemocráticos do país, na qual apenas 2% da comunidade USPiana pode participar, excluindo TOTALMENTE alunos, funcionários (da USP e terceirizados) e professores não efetivos (Na EACH, por exemplo, os professores não efetivos representam cerca de 80% do corpo docente).
Além de tudo, são mais do que Diretas. Os cursos de humanas, por exemplo, passam por um intenso processo de precarização. Os funcionários terceirizados são cerceados de diversos direitos, e a USP compactua com essas empresas. A Universidade passa por uma fase de intensa repressão e perseguição política, e isso se dá com alunos, professores e funcionários. 3 funcionários estão sofrendo processos administrativos por adesão à greve, sem contar os 70 alunos processados pela ocupação da reitoria.
Como se não bastasse a USP serve cada vez menos à comunidade. A universidade cercada de muros e cheia de catracas cerceia o acesso da população à seus espaços. Quer dizer, a população do Estado de São Paulo inteira paga pela manutenção da Universidade para ter cada vez menos acesso à ela. Como se já não bastasse à restrição ao ensino, imposta por um vestibular elitista, agora temos políticas, reforçadas pelo Dr. João Grandino Rodas, que restringem também o acesso ao espaço da Universidade! E mais, os alunos também sofrem esse processo de políticas restritivas à ocupação de espaços. O objetivo da REItoria é transformar a USP num espaço exclusivamente acadêmico e elitista, sendo que não é essa a função da Universidade.
Há, ainda, um péssimo programa de permanência. O Crusp é insuficiente e abandonado. Gostaria de saber como o senhor REItor espera que todos tenham acesso à universidade, se não há moradia estudantil o suficiente, e a que temos peca na qualidade dos prédios antigos e mal estruturados. Estuda, portanto, o filho da família que tem dinheiro para bancar seus estudos.
Não estamos contando os casos de estupro, machismo, racismo, homofobia e assédio que acontecem na universidade todos os dias e para os quais o REItor dá as costas. O Campus do Butantã é extremamente mal iluminado e conta com uma frota de circulares insuficientes, o que expõe as alunas, professoras e funcionárias à situações de perigo, assédio e violência todos os dias. Alunos realizam trotes absurdos, subjugando e violentando fisicamente e moralmente outros alunos e a universidade fecha os olhos. Porque se manifestar não pode, mas bater num negro sem absolutamente nenhum motivo, apenas pelo uso de uma quadra, pode.
É nessa universidade que estudamos/vivemos. Nessa universidade BRANCA e ELITIZADA, onde os negros nos cursos de maior prestígio representam 1% do total e a direção se nega a implantar sistema de cotas. Nessa universidade, onde o REItor compra caviar, vinho importado e um tapete de valor exorbitante, mas não tem verba o suficiente para a permanência estudantil. Nessa universidade onde sofremos violências de diversos tipos todos os dias: Pela força coercitiva da PM no Campus, pela exposição ao assédio moral e sexual, pela disseminação de preconceitos e pela perseguição política. E imagino que falo por mim, e com certeza por MUITO mais do que 0,51% dos alunos, quando digo que NÃO É MAIS ESSA UNIVERSIDADE QUE QUEREMOS.
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