segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Uma tentativa de descrição do maior show do século

Pense na melhor coisa que você já fez na vida... Pensou?
Bom, eu garanto que o show do AC/DC foi melhor que isso!

O melhor show que eu já vi na minha vida! A melhor coisa que eu já fiz na vida! E creio que jamais verei um show melhor do que este!

Abertura: Nasi

SETLIST
Rock ‘n’ Roll Train
Hell Ain’t a Bad Place to Be
Back in Black
Big Jack
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Black Ice
The Jack
Hells Bells
Shoot to Thrill
War Machine
Dog Eat Dog
You Shook Me All Night Long
T.N.T.
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock
Bis:
Highway to Hell
For Those About to Rock (We Salute You)


AberturaEu sinceramente pensei que a abertura do Nasi seria uma porcaria. Me enganei. Foi ótimo! Com direito à Raul Seixas mais Rock N Roll do que nunca, Plebe e Rude e The Clash (Should I stay or should I go).

O SHOW

Talvez eu pudesse descrever o show em duas palavras: Êxtase e Rock. Mas tentarei ir mais além...

Se olhar para baixo verá um show. chifrinhos vermelhos brilhando sem parar na cabeça de todos.
Com uma animação muito engraçada na entrada (Angus de diabinho com duas garotas), o show se inicia com uma explosão e uma locomotiva invadindo o palco junto com a banda, esta já tocando "Rock N Roll Train".

O público entra em êxtase e começa a gritar "AC/DC!!! AC/DC!!!", então Brian solta um "Não falamos bem brasileiro. Mas falamos bem Rock n Roll."

Vem "Hell ain't a bad place to be".
Todos gritam e pulam sem parar ao perceber o riff de "Back in Black".65 mil pessoas cantando uma canção.
Em "Big Jack" todos se limitam mais ao refrão, mas já estão enégicos demais pra se prenderem à letra da música.

Quando Brian dá a dica de que a próxima música será "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", a multidão eclode em gritaria e ovação! Todos cantam sem parar "Dirty Deeds Done Dirt Cheap!!!". Inexplicável. Todos sem saber se cantam, pulam, gritam ou apenas assistem ao espetáculo.

Em "Shot Down in Flames" todos continuam excitados e desgovernados demais para párar de gritar...

"Thunderstruck" - aí vem um dos ponto altos do show. Quando a multidão percebe o solo de guitarra de Thunderstruck a gritaria começa, seguida por 65 mil pessoas gritando em uníssono "aaaa aaaa Thunder!". É possível sentir a energia das vozes e da guitarra penetrando na pele.

Quando chega "Black Ice" todos ainda estão atordoados pela sobrecarga de rock imposta por Thunderstruck. Mas como sempre Black Ice é otimamente aceita e todos estamos mais animados do que nunca.

Chegamos ao ponto alto do show. Entra "The Jack", e Brian anuncia "Ele tem o demônio nos dedos e o blues na alma..." . Todos gritam e acompanham a deliciosa e extasiante melodia de The Jack. Só o primeiro refrão é cantado, depois tudo é substituído pelo som da guitarra e pelo strip de Angus. Não, você não entendeu errado, eu realmente disse "O strip" de Angus. Um cinquentão, que está só pele, pelanca e ossos... várias falhas de cabelo em sua cabeça e de sexy aquilo não tem nada! Mas a platéia vai ao delírio, com seu strip suuuper engraçado e bem humorado! Mostram algumas garotas da pista de vez em quando, uma delas até levantou a blusa, mostrando os seios (tava demorando pra alguma doida fazer isso!). Na cueca de Angus a inscrição "AC/DC"! Mais uma ovação da platéia!!!

Passado o momento "striper", Angus continua tocando apenas de short.

Desce um sino gigantesco do palco. Brian sai correndo da passarela e se dependura na corda do sino, fazendo-o badalar e anunciando "Hells Bells". A múltidão novamente entra em loucura! (Já deu pra perceber que esta foi uma emoção constante no show). Todos cantam juntos!

"Shoot to Thrill" entra em cena, todos ainda mundo agitados cantam, pulam e gritam! A maioria prendendo-se ao refrão, é claro.

Começa "War Machine" e todos cantam juntos... principalmente o refrão (de novo).

Mais um clássico entra renovando energias ("Dog eat Dog") e preparando todos para as próximas duas músicas que serão explosivas...

Em seguida "You shook me all night long" pode ser destacado como outro dos vários ponto altos do show, com a multidão delirante novamente e recebendo mais uma dose exaustiva de rock, mas ninguém pára de cantar, pular e gritar.

"TNT" começa com uma explosão de euforia. 65 mil pessoas (eu sei que está meio repetitivo, mas são 65 MIL!!!) eclodem em extâse e gritaria. Explosões invadem o fundo do palco enquanto um estádio inteiro grita, pula e canta ("Cause I'm TNT... I'm dynamite!"). E todos de fato se tranformam em dinamites carregadas de Rock N Roll prestes a explodir a qualquer momento...

Quando Brian anuncia algo sobre uma mulher chamada Rosie, o estádio inteiro delira com uma boneca gigantesca e gorducha, de calcinha e sutiã que dança ao passo da música... e parece até que ela é movida pelo estádio que grita e pula continuamente ao ritmo dos acordes da guitarra.

Ao entrar "Let There be Rock" todos sabemos que o show está acabando mas queremos mais rock, até a última gota de suor...

Só então que pudemos realmente ter noção da 65 mil pessoas ali. Quando Brian falava "Light", todas as luzes brancas e holofotes possíveis e imagináveis iluminavam a tudo e a todos. E você pensa "Cara, inacreditável" ( não tem outra descrição para o grau de espantosidade da cena).

Depois de "Let There be Rock", uma cena que ficará para sempre guardada na memória como a "coisa mais Rock N Roll" que eu já vi alguém fazer na minha vida. Quase 10 minutos (eu não estou mentindo, foi isso mesmo) de um solo impressionante feito por Angus Young do mais puro e insuperável Rock N Roll que já se viu! O Angus, cinquentão, quase careca, pele, osso e pelanca, corre de um laddo para o outro em uma passarela que tem METADE DE UM CAMPO DE FUTEBOL. Ele se joga no chão com a guitarra, roda, gira, toca com a boca, com uma mão só, a plataforma em que ele está sobe a há uma chuva de papel. Ele volta correndo ao palco. Some e só se ouve a guittarra, quando ele então aparece ao fundo sobre uma escada na frente do telão onde não há mais nenhum trem. Angus começa a tocar e a brincar com a platéia. É como um despertar, pois estávamos todos hipnotizados e paralizados pela impressionante e histórica apresentação. Talvez, eu tenha mentido quanto à The Jack ser o ponto alto do show. Para mim, este sim, é que foi o ponto alto do show.

Respondemos bem aos jogos de guitarra e platéia. Angus desce da escada, corre de um lado para o outro se joga no chão, pula e é claro repete seus passinhos clássicos (o que, aliás, fez o show todo).

O palco escurece.

Todos gritam, eufóricos com a esplendorosa exibição de rock que acabara de acontecer diante de seus olhos. Muitos começam a gritar "Ole, ole, ole, ole.. AC/DC!!" ( eu sei que é sem ritmo, mas veja bem as nossas condições de atônitos!), outra que, estávamos meio fora de compasso... alguns gritavam "AC/DC!!!", outros gritavam "Bis", e outros apenas gritavam! Eu, particularmente, tentava dizer algo, gritar algo; mas só sairam murmúrios imcompreensíveis de pasmo, admiração e incredibilidade.

Eu sabia que eles voltariam... "Ah qual é, o Angus tá acabado, dá um tempo pra ele beber água, pessoal!"

Fogo no palco..."Highway to Hell" começa num ritmo alucinante e todos pulam e gritam enlouquecidamente. Se você parar de pular por um instante poderá sentir o chão tremendo, quase cedendo sob os 130 mil pés (ou 65 mil pares de pés). Sem fazer uso de metáfora alguma o estádio realmente vibra.

Quando "For Those About Rock" começa, todos já estão tão enebriados de tanto Rock, que pulam e gritam enlouquecidamente (sim, todos loucos de novo), num ritmo alucinante de guitarra e gostinho de encerramento de ouro. Canhões surgem no palco e cada vez que Brian grita: "Shot" ou "Fire", um disparo é dado. Três canhões à direita, três à esquerda e três ao centro. Os laterais eram disparados ao som de comandos de Brian e os centrais eram disparados pela guitarra de Angus, que se encontrava numa plataforma sobre os canhões.

Depois de uma overdose de Rock, estávamos todos maravilhados e extasiados até a última gota. Muitos idiotas se apressaram em sair, eu continuei lá, espantanda, maravilhada!
Quando começa um impressionante e digno final para aquele espetáculo: Uma queima de fogos! Os idiotas de antes voltam correndo para o sensacional encerramento.

Saímos todos abismados com uma única sensação em mente: Incredulidade.