terça-feira, 11 de junho de 2013

Bandeide

Lembra, há muito tempo atrás, quando estávamos com um curativo e ficávamos tentando tirá-lo aos pouquinhos, pra não doer, e nossa mãe dizia "Tira de uma vez, que dói menos"? Quando ela perdia a paciência com a demora em tirar o bandeide, se metia a puxar de uma vez, e nós gritávamos "NÃO! Espera! Deixa que eu tiro, deixa que eu tiro..."? É engraçado como parece que até hoje estamos tirando o bandeide devagarinho.

Cada vez em que não nos jogamos, com medo de quebrar a cara, cada vez que ficamos no "não sei", que enrolamos, que ficamos em cima do muro, que empurramos uma situação com a barriga, que não arriscamos, estamos puxando o bandeide devagarinho.

Temos tanto medo da dor intensa do puxão, que isso nos impede de resolver situações, de nos libertarmos do bandeide, de sermos felizes logo de uma vez. Porque ser feliz dá um medo filho da puta. Então, com medo da dor intensa, vamos perpetuando as pequenas "dorezinhas", os pequenos incômodos, puxando pontinha por pontinha e não acabando nunca.

Nos privamos de nos livrarmos logo deste incômodo bandeide e irmos pra rua, jogar bola de novo, e, assim, no meio de uma brincadeira, nos ralarmos de novo e ganharmos um novo curativo. Mas a vida é assim: um ciclo de brincadeiras, quedas e curativos. E quanto mais demoramos pra nos livrar dos curativos, mais demoramos pra começar uma nova brincadeira.

Talvez seja hora de darmos aquele puxão, que vai doer, mas vai passar logo. Mas, peraí, peraí! Deixa que eu tiro sozinha...