terça-feira, 30 de julho de 2013

Eu, amor, passarinho

Porque o amor é assim,
como eu, passarinho
livre pra voar
e cantar mansinho, ao pé do ouvido.

Porque o amor é assim,
grande demais pra ficar preso
- pesa na gente
Deixa o amor livre,
Que o amor também deixa a gente
levemente,
livremente,
lentamente...


domingo, 28 de julho de 2013

O Papa é Pop!

Imagem da Bienal de Arte de 2009, retrata Ratzinger 
Mais do que nunca, o papa é pop! Mas por que o papa é pop? Por que o Dalai Lama não teve as mesmas atenções que a "Vossa Santidade" quando deu o ar de sua graça em terras brasileiras? Mais apropriada ainda, é a pergunta: Por que os pastores e bispos evangélicos não tem o mesmo tratamento que o papa? Aliás, no que tange a cobertura midiática, por que tem um tratamento completamente diferente?

O Estado não é laico. Os meios de comunicação não são laicos, portanto não tem como o Estado o ser. A Igreja Católica e, consequentemente, o papa defendem o mesmos pontos de "Felicianos e Malafaias". Ambos têm os mesmos posicionamentos conservadores nas questões do aborto, do machismo, das causas LGBTs, etc, e, no entanto, o papa é tratado como popstar, símbolo de pureza e paz, enquanto pastores evangélicos são execrados.  A "humildade" do papa é exaltada ao este escolher andar de Fiat Idea, enquanto o pastor que compra uma mansão vira notícia, mas... e o banco do vaticano que gere cerca de 6 BILHÕES de Euros em ativos? Quanta humildade, Francisco! Sem contar a recente declaração do papa em repúdio a descriminalização das drogas - mais do que conservadorismo, não apoiar uma nova política antidrogas, reconhecendo a falha da atual, é burrice! Quisesse mesmo atenuar a dependência química e os problemas sociais gerados com esta, teria outro posicionamento. Bergoglio pode ser, sim, mais aberto do que os outros papas (até por ter maior simpatia pela Teologia da Libertação), mas daí a chamá-lo de "papa reformista" é um pouco ingênuo demais. "Reformas" só são reformas quando atingem a base - reformas superficiais apenas deixam a mesma casa, com os mesmo problemas, e o uma fachada mais bonita e enganosa.

Não estou, de maneira nenhuma, defendendo os fundamentalistas evangélicos, mas nossa querida mídia deveria ser, no mínimo, coerente: Se for pra execrar por conservadorismo, execre ambos. Agora, dois pesos, duas medidas, para óleo da mesma unção (hahaha), é piada! É apostar demais na burrice da população!

Mas, como ter um Estado laico, que prese em preservar as liberdades individuais, num país onde todos os feriados são católicos? Num país onde a maioria dos ÓRGÃOS PÚBLICOS tem imagens de santos e crucifixos? Num país onde o papa é recebido como "Vossa Santidade" e tem tratamento de celebridade pela imprensa? Onde autorizações para alguns trabalhos sociais são oferecidos exclusivamente à igreja católica? Onde suas cédulas de dinheiro tem a inscrição "Deus seja louvado" (se eu fosse Deus, ficaria puta com isso, fica a dica). De qualquer forma, todos sabemos o quanto NÃO VIVEMOS num Estado laico. O difícil é avaliar o exato papel dos meios de comunicação nisto: Eles são consequência ou causa? Na minha humilde opinião, um pouco dos dois. São consequência porque, fosse outra a situação, não poderiam ser tão parciais. Fosse outra a situação, não poderiam ter emissoras que dedicam-se quase que exclusivamente à programação religiosa, ou o teriam, mas com pluralidade e equidade de condições. São causa porque os meios de comunicação ajudam na formação de pensamentos e valores sociais e morais brasileiros (uma vez que, no Brasil, a grande mídia é COMPLETAMENTE parcial, panfletária e doutrinária, não cumprindo jamais seu papel para com a verdade e os fatos). São causa e consequência, principalmente, porque incutem moralismo, conservadorismo e preconceito nas cabeças da população, por meio de esteriótipos e tendenciosidades, enquanto tentam parecer "libertárias" e neutras, condenando apenas quem e o quê lhes convém.

A luta pela democratização e laicidade do Estado é extremamente justa e válida. Entretanto, a meu ver, tão importante quanto é a luta pela democratização e laicidade da mídia - uma é causa e consequência do outro. De acordo com David Harvey, geógrafo, qualquer revolução só pode se suceder caso trabalhe-se em conjunto sete esferas de desenvolvimento: Tecnologias e Formas de Organização, Processo de Produção do Trabalho, Concepções Mentais de Mundo, Reprodução da Vida Cotidiana e da Espécie, Arranjos Institucionais e Administrativos, Relações com a Natureza e Relações Sociais. Claro que este caso não se trata de uma revolução completa no modo de vida e de produção, contudo, entendo que qualquer mudança efetiva na sociedade deva passar, ainda que indiretamente, por todas estas esferas. A democratização e laicidade da mídia é, portanto, ESSENCIAL no ponto em que é responsável (causal e consequentemente) pelo desenvolvimento de, no mínimo, 3 dessas esferas diretamente (Relações Sociais, Concepções Mentais de Mundo e Reprodução de Vida Cotidiana), e de todas, indiretamente, sendo que estão todas interligadas.

Por fim, não acho que seja necessária uma reforma na igreja católica - é cultural, e não penso que se deva interferir nisto. Mas simplesmente que o Estado não deva esperar por posicionamentos da igreja, pois o problema fundamental, da base, continuaria - a dependência do aval moral religioso. A reforma deve ser feita fundamentalmente, no Estado, nos meios de comunicação e, portanto, na sociedade.

Quem está exercitando a tolerância, a bondade e o perdão: O papa ou índio? Eu aposto no índio.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Não precisa assistir pra saber o final

PUXA-PUXA

O que há de errado nas novelas de TV é que os amores, os ciúmes, os ódios, os sentimentos são muito compridos.., esticados que nem puxa- puxa... quando na vida real não há tempo para isso - mas é por isso mesmo que os espectadores as adoram.

                                                                             Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo


Nunca gostei de novelas. Porque é muito rolo, sabe? Uma novela dura quase 1 ano. Um ano em que todos já sabemos que mocinho vai ficar com a mocinha no final. Um ano em que sabemos que terá um vilão querendo separá-los. Um vilão que sabemos que se dará mal ao final de um ano. Um ano que sabemos que será cheio de mal entendidos, desencontros e idas e vindas do mocinho e da mocinha, que ficarão juntos no final.


Nunca tive paciência pra tanto rolo. Pra tanto sentimento derramado, espalhado, enrolado.
Desenrola. Desencana. Deixa pra lá. Pra quê a mocinha fica chorando? Por que o mocinho não conta logo toda a verdade pra mocinha? Por que eles não sentam e conversam "que nem gente grande"? Nunca entendi. E nunca tive paciência pra tentar entender.

Pra quem é exagerado, não tem novela - Tem um curta. E quando muito um longa -  Mas nunca uma novela. Pra quem é passarinho, ama devagarinho, pra quem sabe que a vida é breve, e o amor mais breve ainda, não há Gloria Perez que salve. Porque as coisas acontecem assim: repentinamente; e tão de repente quanto, acabam. O amor é fogo, que dura uma fogueira, um acampamento, e depois são só cinzas - assim, de repente, não mais que de repente.



domingo, 21 de julho de 2013

O Melhor Post do Mundo

Não lembro onde, e nem de quem, ouvi que elogios são lubrificantes sociais. Talvez tenha sido em "Memórias Póstuma de Brás Cubas". Enfim, o fato é que são mesmo. Parece que muitas vezes nos sentimos obrigados a elogiar algo ou alguém, seja por educação, por empatia, ou simplesmente por puxa-saquismo. Aliás, muitas pessoas sentem a necessidade de elogios para se auto-afirmarem. É como aquela menina, que posta uma foto no Facebook com a legenda "Estou feia", para que tenha 50 comentários dizendo o quanto ela é linda. Elogios são vazios - se não o fossem, se chamariam "verdade". Elogiar serve para massagear o ego alheio, e como vivemos numa sociedade onde tudo, inclusive os serviços públicos, se pautam por "pessoalidade", onde o indivíduo e suas vontades tem mais importância que o coletivo, a serventia do elogio passa ser, antes de tudo, a lubrificação das relações sociais.

Nunca soube lidar com elogios. Talvez porque eu saiba a real intenção por trás deles, ou talvez por ser segura demais, ou talvez os dois.

Existem vários tipos de elogios: Tem o elogio do puxa-saquismo, o sincero da falta de conhecimento, o do prêmio de consolação e, o mais raro de todos, o verdadeiro.


O Elogio Puxa-Saco

Esse tipo de elogio é um dos que mais me irrita, perdendo apenas para o "Prêmio de Consolação". Odeio puxa-saquismo. Primeiro porque quem o faz parte do princípio que você é tão idiota a ponto de se deixar comprar por elogios. Segundo porque é recheado de segundas e terceiras intenções, e quem o faz parte, de novo, do princípio de que você é idiota o suficiente para não percebê-las. E terceiro porque é perigoso: vai que quem os recebe é idiota mesmo, e acredita? Corre o risco torná-los empecilhos para seu crescimento pessoal, construindo situações ilusórias - de que tudo está perfeito como está, de que não há no que melhorar - e dando base para conformismos.


O Elogio Sincero da Falta de Conhecimento

Uma linha tênue separa este tipo de elogio do anterior. O Elogio Sincero da Falta de Conhecimento não é feito com má intenção; pelo contrário, é sincero. O problema é que quem o fala não tem conhecimento sobre o assunto, e pode levar quem o ouve à mesmíssima ilusão provocada pelo anterior, que barra o crescimento pessoal. Não é porque um elogio é sincero, que é verdadeiro. Este tipo de elogio não me irrita e nem me alegra - simplesmente não me afeta.


O Elogio "Prêmio de Consolação"

Esse tipo de elogio tem o dom de me enfurecer, de me tirar do sério! Não que ele seja feito com maldade, pelo contrário - o intuito deste tipo de elogio é fazer quem o ouve se sentir melhor. Equivale a um "não fique triste", "nem tudo está perdido", "veja o lado bom", "mas pelo menos...". O problema deste elogio é justamente esse: a consolação. E justamente isso é perigoso: O elogio, além do risco de barrar o crescimento pessoal, pode servir também de muleta. A mim irrita porque quem o faz parte do princípio de que você precisa ser consolado. Enfie sua pena, dó e sua consolação no cú, porque eu não preciso dela! Cara, como eu odeio este tipo de elogio.


... E por último, o elogio verdadeiro
Há apenas uma diferença entre este e o "elogio sincero da falta de conhecimento": a realidade. Este elogio, é tão sincero quanto o outro, com as mesmíssimas boas intenções, entretanto condiz com a realidade. Não é lindo? Além de fazer bem pra alma e pro coração, este é o único tipo de elogio que ajuda no crescimento pessoal, pois te dá uma noção de "evolução" e de suas potencialidades. É o único tipo que gosto de receber. 
Ser seguro de si torna todos os outros tipos de elogios desnecessários. Porque se você tem plena consciência de suas qualidades e seus defeitos, não precisa que alguém os reforce ou simplesmente ignore. Segurança traz uma blindagem contra muletas e ilusões.

Ainda há um quinto tipo de elogio: o irônico - mas este nem é bem um elogio, né? E quem não entende uma ironia, tampouco entenderá uma longa explicação!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Podia ser Antropofagia Geral, mas é Harvey.

Depois de deixar à todos cientes do meu relacionamento com o "O Enigma do Capital", de David Harvey, e em consideração aos meses passados, aos momentos felizes e aos tristes, resolvi meio que fazer uma "resenha". Digo "meio que fazer uma resenha", porque não vou bem escrever sobre o livro - vou transcrever. Transcreverei alguns trechos do último capítulo "O que fazer e quem vai fazê-lo" e do Epílogo, que, na minha opinião, poderiam muito bem estar falando sobre os últimos acontecimentos e sobre a conjuntura político-social brasileira hoje.

Mas aí já é vandalismo...

"Também seria reconfortante pensar que tudo isso poderia ser conseguido pacificamente e de forma voluntária, que nos despossuiríamos a nós mesmos (...) Mas seria falso imaginar que isso poderia ser assim, que nenhuma luta ativa estaria envolvida, incluindo certo grau de violência. O capitalismo veio ao mundo, como Marx certa vez disse, banhado em sangue e fogo. Embora possa ser possível fazer um trabalho melhor para sair dele do que ficar dentro dele, as chances de uma passagem puramente pacífica para a terra prometida são baixas."


Mamãe, não quero ser prefeito!

"Existem várias grandes correntes de pensamento conflituosas na esquerda quanto à forma de abordar os problemas com que hoje nos confrontamos. Há, acima de tudo, o sectarismo habitual, decorrente da história e de ações radicais e as articulações da teoria política de esquerda. Curiosamente, o único lugar onde a amnésia não é tão prevalente é dentro da esquerda (as cisões entre os anarquistas e os marxistas que ocorreu na década de 1870, entre trotskistas, maoístas e os comunistas ortodoxos, entre os centralizadores que querem comandar o Estado e os antiestadistas autonomistas e os anarquistas). Os argumentos são tão ressentidos e tão turbulentos que às vezes nos fazem pensar que um pouco mais de amnésia ajudaria. Mas além dessas seitas tradicionais revolucionárias e facções políticas, todo o campo de ação política sofreu uma transformação radical desde a década de 1970. O terreno da luta política e das possibilidades de política mudou, geograficamente e organizacionalmente."

"A teoria correvolucionária anteriormente apresentada sugeria que de forma alguma uma ordem social anticapitalista poderia ser construída sem a tomada do poder do Estado, transformando-o radicalmente e retrabalhando as estruturas constitucional e institucional que hoje apoiam a propriedade privada, o sistema de mercado e a interminável acumulação de capital. A concorrência interestatal e as lutas geoeconômica e geopolítica por tudo, desde o comércio e dinheiro até questões de hegemonia, também são importantes demais para serem deixadas para os movimentos sociais locais ou postas de lado como sendo grande demais para serem contempladas. (...) Ignorar o Estado e a dinâmica do sistema interestatal é, portanto, uma ideia ridícula demais para ser aceita por qualquer movimento revolucionário anticapitalista."

"A terceira grande tendência advém da transformação que vem ocorrendo na organização do trabalho tradicional e na organização dos partidos políticos de esquerda, variando desde tradições social-democratas até trotskistas mais radicais e formas comunistas de organização de partidos políticos."



O governo PSDBista de Dilma (ou a social democracia do PT)

"Tanto o trabalho organizado quanto os partidos políticos de esquerda tomaram bons golpes no mundo capitalista desenvolvido ao longo dos últimos trinta anos.Ambos foram convencidos ou coagidos a dar amplo apoio ao neoliberalismo, ainda que este contasse com contornos mais humanos."

Não são só os 20 centavos!

"(...) Em boa parte do mundo capitalista avançado, após um flerte inicial com um renascimento do keynesianismo, a crise da dívida soberana tornou-se uma desculpa para a classe capitalista desmantelar o que sobrou do Estado de bem-estar por meio de uma política de austeridade. O capital sempre teve dificuldades em internalizar os custos da reprodução social (a assistência a crianças, doentes, deficientes e idosos, os custos da previdência social, educação e saúde). Durante os anos de 1950 e 1960, muitos desses custos foram internalizados diretamente (planos de saúde e pensões corporativos) ou indiretamente (serviços financiados por impostos para a população em geral). Mas todo o período de capitalismo neoliberal após meados dos anos 1970 foi marcado por uma luta do capital para livrar-se de tais encargos, deixando a população buscar suas próprias maneiras de adquirir e pagar por esses serviços. Como nós nos reproduzimos é, fomos informados por poderosas vozes de direita na política e na mídia, uma questão de responsabilidade pessoal, não obrigação do Estado.
(...) A ênfase na austeridade é, portanto, um passo adiante por esse caminho em direção à personalização dos custos de reprodução social. O assalto ao bem-estar da população coloca o Estado em rota de colisão, não só com os últimos redutos de sindicatos em muitos países, os sindicatos do setor público, mas também com as populações mais diretamente dependentes da provisão estatal (como estudantes, de Atenas a Paris, Londres e Berkeley). O assalto provocou tamanhas revoltas que até mesmo o FMI tentou avisar os governos mais entusiastas da direita que corriam o risco de provocar uma grande agitação social. Os crescentes sinais de agitação na Europa a partir do outono de 2010 sugerem que o FMI pode estar certo." - Hoje, mais do que nunca, sabemos que estava.


20 centavos a menos na passagem e desoneração para as empresas de transporte. Que vantagem Maria leva?

"Mas o repasse dos custos às pessoas em benefício do grande capital sempre esteve na agenda da direita e da classe capitalista. O presidente Ronald Reagan criou um enorme déficit nos anos 1980 numa corrida armamentista com a União Soviética. Ele também cortou a taxa de imposto sobre os maiores salários nos EUA de 72% para quase 30%. Como seu diretor de orçamento, David Strockman, confessou mais tarde, o plano foi aumentar a dívida e depois usar isso como desculpa para diminuir ou demolir a proteção social e os programas sociais. O presidente George Bush, o jovem, outro republicano, com o apoio de um Congresso controlado por republicanos, seguiu o exemplo de Ronald Reagan à risca. Ele transformou o que tinha sido um excedente orçamental no fim dos anos 1990 em um enorme déficit entre 2001 e 2009, ao travar duas guerras por escolha, ao aprovar um pacote de medicamentos destinados ao sistema públicos que foi um presente às grandes empresas farmacêuticas e ao oferecer cortes fiscais maciços para os ricos. O corte de impostos, disse o pessoal do governo Bush, se pagaria à si próprio com a aceleração do investimento. Não o fez (apenas aumentou a especulação). (...) Agora as guerras custaram 2 trilhões de dólares ou mais, mas não levou a qualquer reação nos anos Bush, porque como o vice-presidente Dick Cheney gostava de dizer, 'Reagan nos ensinou que os déficits não importam'.
(...) O assalto ao bem-estar social das massas deriva do incessante impulso de preservar e valorizar a riqueza dos que já são ricos. (...) Em meio a um imenso clamor público por austeridade e cortes no déficit, os republicanos lutaram com sucesso para estender os cortes fiscais de Bush. Isso dará 370 mil dólares por ano para os 0,1% mais ricos dentre os contribuintes nos Estados Unidos e aumentará o déficit em 700 bilhões de dólares nos próximos dez anos. Enquanto isso, em alguns municípios fecharam sua delegacias e unidades de corpo de bombeiros e, em casos extremos, desligaram a iluminação de rua por falta de fundos. Imagine o caos que se seguiria se tais políticas de corte orçamentário draconianas chegassem às grandes cidades com populações já impacientes. Isso é política plutocrata no seu pior."



Mudando de assunto, a Questão Indígena.

"A voracidade chinesa por matérias-primas não apenas mudou os termos de comércio em favor dos produtores de matéria-prima, mas também desencadeou uma intensificação na concorrência a longo prazo entre Estados, empresas e indivíduos ricos pelo controle da terra, recursos naturais e outras fontes de renda cruciais. A política de despossessão que equivale a uma vasta aquisição global de propriedades, em grande parte do continente africano, América Latina, na Ásia Central e no que resta das regiões vazias do Sudeste Asiático, tem sido indiscutivelmente liderada pelos chineses, recém-chegados a esse campo tradicional entre potências e corporações. Mas mesmo internamente nos Estados, a despossessão de populações inteiras, como já vem ocorrendo nas regiões ricas em minerais no Centro e Nordeste da Índia, tem se dado com rapidez, apesar da resistência dos povos indígenas. Há, ao que parece, muitos interesses que têm a intenção de proteger uma arca sagrada do capitalismo, na medida em que aumenta o  risco de um colapso econômico futuro."


Achei um vídeo também, muito legal, que dá uma baita resumida na teoria exposta nos 3 primeiros capítulos do livros. Está bem resumido e didática, já que está em forma de animação. Vale a pena ver:




"O Enigma do Capital e as Crises do Capitalismo", de David Harvey, foi escrito entre o final de 2009 e o começo de 2010, e teve sua primeira edição em novembro de 2011 pela editora Boitempo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A Festa do Povo

Dia Nacional de Lutas, 11 de Julho de 2013
... E estou há quase uma semana sem postar. Aconteceu tanta coisa nesses últimos dias, que acabou não sobrando muito templo pro blog. Além da correria, tem também o efeito "Manifestações de Junho" - Tenho lido tantas coisas diferentes, pensado tanto sobre tudo, que são tantas pautas, que estava sem uma pauta específica para postar no blog.

Decidi-me por falar, ainda das manifestações de junho, mas desta vez em julho. Porque estou voltando ao tema? Porque, bem, é mais fácil avaliar de fora. Além do mais, quero falar das conquistas, que são coisas que só podem ser vistas depois dos acontecimentos. Falemos, então:

Tenho tido uma postura extremamente pessimista com relação às manifestações. Principalmente depois da tentativa direitista de manipulação das pautas, por meio da ausência destas. Mas depois dos desdobramentos, da poeira mais baixa, e da chegada de julho pude visualizar as conquistas e as derrotas com um pouco mais de clareza e otimismo.

A maior conquista não foram os 20 centavos. A maior conquista foi a população ver que pode se unir em prol de um objetivo (pauta!) e alcançá-lo. Foi o repentino interesse por política de uma considerável parte da população (não digo politização, porque aí já é otimismo demais haha). A política, antes um tema "indiscutível", junto com religião e futebol (!), agora passou para o topo das discussões populares! E isso é bom, isso é muito bom. Porque não há passo maior para o aprendizado do que o interesse, a disposição. Foi também, depois da quinta 13, um maior debate sobre a polícia militar e sua forma de agir.

Entretanto, a conquista mais importante de todas, na minha opinião, foi a conquista das ruas. O espaço urbano, foi, em decorrência do processo de privatização e gentrificação da terra, e da repressão cada vez maior do Estado e do capital, que empurrou o povo para a periferia, "privatizado". A cidade não era mais do povo! O povo perdeu o direito à cidade gradualmente, à cada muro construído, à cada despejo, à cada shopping, à cada novo condomínio, à cada avenida construída, à cada vinte centavos de aumento.

Contudo, tivemos nessas manifestações a retomada da cidade! A rua é nossa! A cidade é nossa! Podemos, sim, PODEMOS, nos reunir, protestar, e andar por quaisquer vias e lugares! Desde uma ruela de bairro à Avenida Paulista, porque a cidade nos pertence!

O povo retomando o que é seu, é lindo! Lembro-me  de dois momentos e pude percebê-lo: Um, foi na segunda-feira 17, quando estava na Paulista, tomada de pessoas, e encontro dois amigos (que nem se conhecem) cada qual conversando, brincando, fumando com seus outros amigos, enfim utilizando a rua (melhor do que os carros). Foi como ver o "meu mundo", tomar o "mundo dos carros e das pessoas estranhas". O outro, foi num determinado dia, não lembro qual, em que fui para a Paulista com dois objetivos: participar de uma manifestação organizada pelos movimentos de esquerda, e depois para participar de uma "Aula Pública" no vão do MASP. E qual não foi a linda surpresa que tive, quando me deparei com a Paulista fechada? Estávamos tendo: A manifestação dos médicos contra a vinda de profissionais cubanos, de profissionais da saúde contra o ato médico, dos movimentos de esquerda contra a Copa do Mundo e a aula pública no MASP (talvez eu tenho deixado passar alguma, mas enfim). Por mais que eu não concorde com o motivo da manifestação dos médicos coxinhas (ops!), achei fantástico o modo como a Paulista estava tomada novamente, por diversas manifestações. O modo como agora realmente sentimos que a Paulista é nossa, que o MASP é nosso, que São Paulo é nossa. O modo como podemos simplesmente nos juntar para protestar e sair andando pelas vias da cidade, simplesmente porque sentimos e sabemos que podemos!

Na minha opinião, não houve ganho maior do que a retomada da cidade.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Não tô

Hoje, não tô pra Marx.
Nem pra Marx, nem pra Engels.
Avise o Sr. Nietzsche
que saí com Pessoa
sem hora pra voltar.
Mande Schopenhauer pastar o jardim do Sr. Freud.
Anote o recado de Hobsbawm
junto com o de Bauman
E diga que ligo mais tarde.
Hoje, estou apenas para Quintana.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ah, Bruta Flor do Querer!

Segundo Schopenhauer vivemos num ciclo de vontades, em que desejamos, nos saciamos e nos enfadamos... até que desejemos de novo. Para ele, somos uma vontade, vivemos uma vontade, que nunca será saciada por completo.

Há quem diga que são as vontades que movem o mundo, Schopenhauer inclusive, eu inclusive. Mas, na minha opinião, o que realmente promove mudanças verdadeiras no "status quo" é a coincidência de vontades. Vontades unilaterais causam no máximo agitação, turbulência, transtorno. Cazuza foi um gênio quando disse "que coincidência é o amor". Porque o amor, realizado e não platônico, é isso: uma coincidência de quereres.

Falando em quereres, outro gênio, que também sabe do que falo (e do que não falo), é Caetano. Em uma música chamada "O quereres", ele trata dessa "desconexão de vontades":

"Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és"

Desencontros de quereres são extremamente prejudiciais a quem muito quer. Podem causar decepções, desilusões, feridas, mágoas e tristezas. Claro que o querer demais pode ser bom, mas apenas se algum dia houver uma coincidência. Porque o querer de menos é fraco: depende da sorte. O querer demais também depende da sorte, mas, falando em probabilidade agora, se jogarmos uma moeda apenas uma vez, temos apenas uma chance para que dê cara, mas se a jogarmos 10 vezes, temos 10 chances. Pode ser que nas dez vezes dê coroa, mas vai que, por algum acaso, por algum descuido do destino, dá cara? Bem sabe Jobim, que a hora do "sim" é o descuido do "não".

Fazendo uma conexão com as consequências de desencontros de quereres, temos a mudança de quereres. Às vezes queremos muito, queremos tanto, com tanta intensidade que consumimos o querer de 10 anos em 10 dias. Acabamos fazendo promessas malucas, como trazer mil rosas roubadas, que se tornam tão curtas quanto um sonho bom. Quando o querer é demais, não tem essa de pra sempre - é querer até deixar de querer. Porque querer que arde sem se ver, não tem como ser imortal, posto que é chama; é, portanto, infinito enquanto durar...

O desencontro de quereres no auge da "exageradice" é, logo, muito nocivo. É uma ruptura. É abrupto. É muito querer pra muita indiferença. É querer demais, pra quem tanto faz. Quanto menor a diferença de quereres, mais fáceis as coisas. Quem vai saindo aos pouquinhos, causando um quererzinho a menos a cada partida, uma hora não tem mais querer nenhum. Porque sair à francesa não causa tristeza e nem nada, além de um fim de tarde a mais.

Como diz Shakespeare, alegrias violentas, têm fins violentos, falecendo no triunfo, como fogo e pólvora, que num beijo se consomem. Bom mesmo é fazer como Quintana, querer bem devagarinho, porque a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Pra não dizer que não falei das flores

Frente ao post que deixei aqui ontem, achei muito interessante postar este texto escrito pelo deputado Jean Wyllys, do PSOL. Ainda há esperança, e cabeças pensantes e sensatas:
 
"A reunião que eu não tive com Dilma

Depois de protestos que mobilizaram mais de um milhão de pessoas em distintas cidades do Brasil, o governo e nós, o Congresso Nacional, começamos, bem ou mal, a reagir às reivindicações apresentados.
No Congresso, uma das primeiras reações foi a rejeição da PEC-37 pela Câmara dos Deputados. Mas é preciso lembrar e ressaltar que até duas semanas atrás a oposição a essa PEC eram minoria na Câmara e nós, que éramos contra, teríamos perdido a votação caso ela fosse votada antes das manifestações, como perdemos as votações contra a Lei da Copa (só o PSOL votou contra), o Código Florestal e a pavorosa lei que define a nova política nacional de drogas - que, entre outros absurdos, legaliza a internação compulsória de usuários de drogas em comunidades terapêuticas tocadas por igrejas evangélicas.
Bom, a Câmara também já praticamente jogou no lixo da história o estúpido projeto de legalização da "cura Gay" do deputado João Campos (PSDB-GO), aprovada na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que, após ser tomada por fundamentalistas cristãos, hoje atua no sentido de violara os DHs das minorias.
Fico feliz por esse projeto praticamente ter ido parar no lixo porque há tempos venho lutando contra ele. Mas não me esqueço de que, antes de o povo sair às ruas, o projeto avançava sem que os partidos majoritários fizessem nada para freá-lo.
Era por essas e outras questões que eu gostaria de ter ido à reunião para a qual nos convidou – nós, a bancada do PSOL - a presidenta Dilma Rousseff.
Após os protestos e a queda de sua popularidade, ela convocou as bancadas das oposições para uma conversa - algo que já deveria ter feito. Porém, infelizmente, a executiva do meu partido, o PSOL, decidiu que nossa bancada não participaria da reunião. Acatei a decisão porque acredito no sistema democrático e ela foi votada pela maioria da direção eleita pelos filiados. Mas pessoalmente discordo dessa decisão; acho-a um tremendo equívoco.
Nossos papéis como parlamentares da oposição de esquerda ao governo Dilma - mas, antes disso, republicanos - é fiscalizar o governo, fazer propostas alternativas no Congresso e contribuir, através do jogo democrático, para que o governo ouça as vozes das ruas.
É isso que eu faço desde que sou deputado: tento levar ao Congresso a voz de milhares que nunca foram ouvidos porque nunca tiveram alguém que os representasse.
Ter ido à reunião com a presidenta não significaria deixar de ser oposição de esquerda. Seria, antes, um gesto republicano e uma boa oportunidade para dizer à presidenta (e ao país) a que nos opomos e quais propostas alternativas temos para responder às demandas da população. Muitas das bandeiras que encheram as ruas nas últimas semanas são bandeiras que o PSOL defende há muito tempo.
Nós perdemos muitas votações no Congresso dizendo o que agora dizem milhares de brasileiros em cartazes escritos à mão.
Por isso, através deste texto, quero expressar o que eu gostaria de ter podido falar com a presidenta. Ela, apesar da queda na popularidade, ainda é a autoridade maior dessa nação e, como tal, merece, no mínimo, respeito mesmo de quem a ela se opõe em questões pontuais.
Direitos humanos e minorias. O Brasil atravessa um momento crucial na sua história, mas anda na contramão. Assistimos aos assassinatos de mais de 300 gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais por ano - violência dura antecedida pela violência simbólica da discriminação social, difamação e injúrias - enquanto projetos de lei que visam combater a homofobia em suas diferentes expressões dormem nas gavetas do Parlamento.
Também há, infelizmente, outros projetos, da bancada fundamentalista, que propõem a homofobia como política de Estado.
Qual é a posição do governo federal sobre essas e outras iniciativas? Presidenta, a senhora precisa se posicionar.
Enquanto Barack Obama festeja a decisão da Corte Suprema de Justiça dos EUA a favor do casamento igualitário e François Hollande parabeniza o Congresso francês por aprovar a lei que reconhece esse direito, partidos aliados ao governo federal tentam derrubar as decisões do STF e do Conselho Nacional de Justiça que permitiram regulamentá-lo no Brasil e a bancada governista não aceita debater os projetos que apresentei na Câmara junto com Érika Kokay (PT) para que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo seja garantido na lei.
Presidenta, os fundamentalistas aliados seus e os da oposição de direita querem que o Brasil se pareça ao Irã. A senhora precisa dizer claramente que não quer isso. Ou quer?
Na Argentina, o posicionamento público corajoso da presidenta Cristina Kirchner permitiu que as leis da igualdade fossem aprovadas e ajudou a instalar um debate na sociedade que permitiu reduzir a homofobia e a violência de uma maneira que nenhuma lei penal conseguiria em tão curto prazo. O PLC-122 deve ser aprovado, mas o direito penal não resolve tudo (e sabemos a seletividade social e racial com a qual ele age), por isso eu sou partidário de combater o preconceito com educação e ampliação de direitos.
Presidenta Dilma, a senhora precisa se colocar do lado dos direitos humanos e da igualdade (e isso é até uma obrigação decorrente do seu cargo, porque o Brasil é cossignatário de vários tratados internacionais que o obrigam) e dizer, com todas as letras, que o casamento igualitário e a lei de identidade de gênero devem ser aprovados, que a homofobia deve ser combatida e que a Comissão de Direitos Humanos não pode se submeter ao fundamentalismo racista, machista e homofóbico de um deputado que envergonha o Brasil.

A senhora tem a responsabilidade de executar políticas públicas contra a discriminação na saúde e na educação, e isso o governo até agora não fez. O Brasil era exemplo no mundo pela política de prevenção do HIV e pela cobertura universal dos tratamentos (serviços de saúde, distribuição de remédios, etc.), mas todas essas políticas foram prejudicadas pela presença de fundamentalistas no governo federal, mesmo o sexto Objetivo do Milênio sendo combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças.

Considerando o aumento no número de jovens LGBTs infectados, o governo não pode continuar censurando as campanhas de prevenção que os têm como destinatários. Presidenta Dilma, a saúde da população deve voltar a ser prioridade. Será que é possível fazermos um pacto federal que faça dessa necessidade uma política de Estado?

Estado laico e tolerância religiosa. O debate sobre o Estado Laico muitas vezes é associado à luta da população LGBT, e isso está certo, mas é um olhar incompleto sobre o assunto.

Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, sofremos a injúria, os insultos e o lobby dos fundamentalistas contra nossos direitos civis, mas também o sofrem outras minorias cujas vozes são muitas vezes silenciadas, como o povo de santo.
As religiões de matriz africana são injuriadas e discriminadas e o Estado as trata como religiões “de segunda”, sem o respeito (e os privilégios) que recebem as principais religiões monoteístas. Presidenta, precisamos acabar com isso. Nosso povo tem parte de suas raízes na mãe África (que, segundo um deputado da base aliada, é um “continente amaldiçoado”), mas ainda sofre o racismo que herdamos da Colônia, e que hoje ressurge com vigor graças ao avanço do fundamentalismo.
A luta contra o racismo deve incluir políticas afirmativas (como as cotas, que são um grande avanço), políticas educativas, políticas culturais que deem espaço às manifestações artísticas do povo negro e políticas de combate à intolerância religiosa que visem o respeito e o reconhecimento do valor do candomblé na nossa cultura.

Educação e inclusão. O governo propôs que 100% do dinheiro dos royalties seja destinado à educação. Eu concordo. Presidenta Dilma, conte com meu apoio para isso, desde que fique claro que estamos falando da educação pública e não de subsídios públicos para a educação privada.

Mas isso só não basta.
O governo federal e os governos estaduais e municipais precisam investir agora, já, para melhorar a qualidade da educação pública, começando pelo salário dos professores, que em muitos casos é vergonhoso.
Por que não propor um pacto federal pelo salário do professor e pela inclusão educativa?

Precisamos investir na ampliação da rede de educação pública, terminar com as barreiras que impedem às classes populares ingressar na universidade (quando vamos discutir, no Brasil, o ingresso irrestrito?), mas também investir para nivelar o sistema, para que exista um "padrão FIFA" de qualidade em todo o Brasil e não uma educação para pobres e outra, para ricos.
Igualar as condições de acesso à educação é o primeiro passo para que a mobilidade social não seja, apenas, uma questão de consumo, mas de desenvolvimento humano.
E precisamos, presidenta, que a escola seja o lugar onde se combatam o racismo, a homofobia, o machismo, a intolerância religiosa, etc. É na escola que vamos formar as futuras gerações para construir um Brasil sem preconceito. A senhora precisa entender que isso é mais importante para o futuro do país que o palanque de um pastor fundamentalista na próxima campanha.

Reforma política? Claro que nós, do PSOL, somos a favor da reforma política. Mas qual reforma política? Na minha opinião, o primeiro passo dessa reforma deve ser o financiamento público exclusivo das campanhas.

A democracia nunca será realmente eficaz se um candidato honesto só pode ter uma campanha pobre (e, portanto, sem levar suas propostas à maioria da população) e um candidato apoiado pelas grandes empresas e corporações pode fazer uma campanha milionária, para depois favorecer, no governo, as empresas que o apoiaram.
A corrupção, muitas vezes, começa na campanha, quando o candidato aceita dinheiro de tal o qual empresário com interesses que dependem do cargo para o qual concorrem.

Precisamos terminar com as legendas de aluguel que se usam apenas para somar minutos de tempo de tevê e permitem que um monte de pilantras chegue ao Congresso e aos ministérios em troca disso. Para isso, precisamos democratizar o tempo de teve, com regras que não favoreçam esse tipo de especulação desonesta.
A primeira reforma política, presidenta, é fazer o sistema mais transparente e democrático, e para isso, a senhora vai ter de enfrentar os interesses de muitos partidos, corporações e grupos de poder que a apoiam. São os mesmos que impedem que sejam feitas muitas das coisas que citei como exemplo neste texto.

São, repito, apenas exemplos.
Se a senhora propor verdadeiras mudanças, contará, com certeza, com a bancada do PSOL. A senhora já sabe como funciona, na prática: quando seus projetos têm o apoio da oposição da direita, porque são projetos de direita, nós votamos contra, e quando nós apoiamos, é a oposição de direita que se opõe. O primeiro acontece com mais frequência, mas a escolha não é nossa.
O Brasil está exigindo mudanças, e isso é uma oportunidade.
Mas, se tudo continuar como até agora, nós continuaremos na rua, junto ao povo, lutando contra o conservadorismo que alguns escolheram para se manter no poder."

terça-feira, 2 de julho de 2013

Mamãe, não quero ser prefeito!

É, caros amigos, não tem jeito, não consigo ficar longe da política por mais do que um final de semana e uma segunda-feira chuvosa. São tantos assuntos a tratar... Mas nos limitemos hoje a um em particular: O sectarismo da esquerda.

Todos que me conhecem, ou lêem qualquer das coisas que escrevo, não têm a menor dúvida do meu posicionamento político: Esquerda. Mas o fato de ser esquerdista nunca me eximiu de fazer críticas a atitudes de partidos de esquerda, pelo contrário - declaro-me apartidária (não anti, veja bem), pois adquiro certa independência dessas posições que, nem sempre, estão de acordo com as minhas. Ultimamente, aliás, o posicionamento de alguns partidos de esquerda tem me incomodado muito, e é disto que trataremos hoje.

A esquerda no Brasil é fragmentada (nenhuma novidade), e é justamente por isso que é tão fraca. Há vários partidos de esquerda que possuem tênues diferenças, mas insistem em pautar-se pelas diferenças e não pelas semelhanças, recusando-se a unirem-se em prol de seus objetivos comuns. Teimosia e burrice. Por que a direita tem tanto poder atualmente? Porque, apesar de suas diferenças, se unem em prol de seus objetivos: a manutenção da diferença de classes e o capital.

Confesso que fiquei muito esperançosa de uma conscientização por parte dos partidos de esquerda dessa necessidade da "unidade", da formação de um "bloco da esquerda", quando em ocasião dos protestos, a ultra-direita começou a se mostrar. O discurso em uníssono de partidos e movimentos de esquerda, e as diversas reuniões entre estes, com o objetivo de pensarmos juntos num rumo a tomar, foi extremamente animador! E eu não estava errada, a esquerda agora está realmente mais uníssona e unificada... pela teimosia.

Não poderia pensar em melhor proposta para esse momento político, do que o lançamento da Reforma Política. Foi uma jogada de mestre! Algo que já se veem querendo implantar, uma bandeira com a qual toda esquerda sonha há décadas, finalmente tem a chance de ser emplacada! Num momento normal, sem estas manifestações, o Congresso jamais aprovaria algo que pudesse lhe "prejudicar" de alguma forma. E, agora, com a insurgência popular, este fica pressionado, dando-nos a chance de conquistar esta vitória.

Para os que não sabem, a Reforma Política consiste, entre outros pontos, no fim do financiamento privado dos partidos, na presença de lista fechada para eleições, na possível mudança na modo de representatividade das eleições, no fim das "coligações-relâmpago" e na insitência pela fidelidade partidária. Há tantos benefícios a comentar sobre esta Reforma, que faz-se necessário um post só para ela. Limitemo-nos a dizer que seria um grande avanço democrático na forma de representação popular, dando mais poder ao povo, menos às empresas financiadoras de campanha e uma bela "quebra de esquema" da corrupção. Não digo que a corrupção vá acabar. Como dizia Platão: "Não há democracia sem corrupção" (Sad but true, dreamers), mas, pelo menos, esta teria seu espaço em nossa democracia muito reduzido.

A questão é que, agora, que há a chance de atingir uma das Reformas tão sonhadas pela esquerda, uma das pautas tão necessárias para atingirmos uma real democracia, os partidos dessa mesma esquerda posicionam-se contrários. COMO? Com um discurso alinhado, dizem que a proposição desta Reforma é mera "distração" e "desvio das principais reivindicações das manifestações". Amigos, me digam: QUAIS SÃO AS "VERDADEIRAS REIVINDICAÇÕES"? Há tantas que nem se sabe! A regulamentação do aborto ou o apoio ao Estatuto do Nascituro? Políticas sociais ou a redução da maioridade penal? Todas são bandeiras levantadas nessa "babel ideológica" que vem sendo construída. A real pauta, inicial e definida, já foi alcançada: A suspensão do aumento da tarifa de ônibus. Não há mais pauta definida. O único desejo que consigo enxergar em todas as correntes de pensamento é o de "um Brasil melhor". Tão vago e tão mais próximo, caso venha a ser aprovada a Reforma Política. Queridos camaradas, vocês estão tomando o mesmo posicionamento de partidos como o DEM e PSDB, fazendo oposição à Reforma. Isso não lhes assusta?

Além do discurso opositório, PCO, PSTU e PSOL (não sei se outros) recusaram-se a comparecer a uma reunião convocada pelo Palácio do Planalto, que pretendia reunir movimentos sociais e partidos de esquerda para um diálogo. Estes partidos, que tem acusado (e com razão) o governo federal de não abrir espaço para diálogo com movimentos sociais, recusam-se abrir-se a tal quando chamados? Contraditório? Infantil, na minha opinião! Birra de criança! Por mais que digam que "o governo federal não apresentará propostas concretas" e que este "quer defender lucros do empresariado", não há motivos para que se neguem ao diálogo. É contraditório e estúpido. Não queriam ser ouvidos? Está aí a chance, que acaba de ser jogada no lixo. O diálogo nunca faz mal. Na pior das hipóteses, sai-se do mesmo jeito em que se entrou - não há prejuízos. Entendo o PSTU se recusar, entendo mesmo. Até porque o partido tem como diretriz a "não crença nas vias democracáticas para efetivas mudanças, que só podem ser efetuadas por meio de revolução proletária". Agora, o PSOL? Bah! Quanto hipocrisia...

Às vezes tenho a impressão de que a atual esquerda gosta de seu título: Esquerda. Gosta de ser Gauche. Tem ojeriza pela situação. Quer ser do contra, não importando contra quê. Dói, dói muito em mim fazer este tipo de crítica a corrente ideológica a qual pertenço. Mas dói ainda mais ver atitudes estúpidas de partidos aos quais já pensei (penso) em pertencer e que tenho tanto carinho.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Poeminhando numa Tarde de Inverno

Chove lá fora
Aqui dentro faz Sol
Está tão frio lá fora!
40º a sensação
É inverno lá fora,
e aqui dentro, verão
Lá fora tem muita gente
Aqui dentro tem eu, tem você, seu calor, meu coração.