terça-feira, 2 de julho de 2013

Mamãe, não quero ser prefeito!

É, caros amigos, não tem jeito, não consigo ficar longe da política por mais do que um final de semana e uma segunda-feira chuvosa. São tantos assuntos a tratar... Mas nos limitemos hoje a um em particular: O sectarismo da esquerda.

Todos que me conhecem, ou lêem qualquer das coisas que escrevo, não têm a menor dúvida do meu posicionamento político: Esquerda. Mas o fato de ser esquerdista nunca me eximiu de fazer críticas a atitudes de partidos de esquerda, pelo contrário - declaro-me apartidária (não anti, veja bem), pois adquiro certa independência dessas posições que, nem sempre, estão de acordo com as minhas. Ultimamente, aliás, o posicionamento de alguns partidos de esquerda tem me incomodado muito, e é disto que trataremos hoje.

A esquerda no Brasil é fragmentada (nenhuma novidade), e é justamente por isso que é tão fraca. Há vários partidos de esquerda que possuem tênues diferenças, mas insistem em pautar-se pelas diferenças e não pelas semelhanças, recusando-se a unirem-se em prol de seus objetivos comuns. Teimosia e burrice. Por que a direita tem tanto poder atualmente? Porque, apesar de suas diferenças, se unem em prol de seus objetivos: a manutenção da diferença de classes e o capital.

Confesso que fiquei muito esperançosa de uma conscientização por parte dos partidos de esquerda dessa necessidade da "unidade", da formação de um "bloco da esquerda", quando em ocasião dos protestos, a ultra-direita começou a se mostrar. O discurso em uníssono de partidos e movimentos de esquerda, e as diversas reuniões entre estes, com o objetivo de pensarmos juntos num rumo a tomar, foi extremamente animador! E eu não estava errada, a esquerda agora está realmente mais uníssona e unificada... pela teimosia.

Não poderia pensar em melhor proposta para esse momento político, do que o lançamento da Reforma Política. Foi uma jogada de mestre! Algo que já se veem querendo implantar, uma bandeira com a qual toda esquerda sonha há décadas, finalmente tem a chance de ser emplacada! Num momento normal, sem estas manifestações, o Congresso jamais aprovaria algo que pudesse lhe "prejudicar" de alguma forma. E, agora, com a insurgência popular, este fica pressionado, dando-nos a chance de conquistar esta vitória.

Para os que não sabem, a Reforma Política consiste, entre outros pontos, no fim do financiamento privado dos partidos, na presença de lista fechada para eleições, na possível mudança na modo de representatividade das eleições, no fim das "coligações-relâmpago" e na insitência pela fidelidade partidária. Há tantos benefícios a comentar sobre esta Reforma, que faz-se necessário um post só para ela. Limitemo-nos a dizer que seria um grande avanço democrático na forma de representação popular, dando mais poder ao povo, menos às empresas financiadoras de campanha e uma bela "quebra de esquema" da corrupção. Não digo que a corrupção vá acabar. Como dizia Platão: "Não há democracia sem corrupção" (Sad but true, dreamers), mas, pelo menos, esta teria seu espaço em nossa democracia muito reduzido.

A questão é que, agora, que há a chance de atingir uma das Reformas tão sonhadas pela esquerda, uma das pautas tão necessárias para atingirmos uma real democracia, os partidos dessa mesma esquerda posicionam-se contrários. COMO? Com um discurso alinhado, dizem que a proposição desta Reforma é mera "distração" e "desvio das principais reivindicações das manifestações". Amigos, me digam: QUAIS SÃO AS "VERDADEIRAS REIVINDICAÇÕES"? Há tantas que nem se sabe! A regulamentação do aborto ou o apoio ao Estatuto do Nascituro? Políticas sociais ou a redução da maioridade penal? Todas são bandeiras levantadas nessa "babel ideológica" que vem sendo construída. A real pauta, inicial e definida, já foi alcançada: A suspensão do aumento da tarifa de ônibus. Não há mais pauta definida. O único desejo que consigo enxergar em todas as correntes de pensamento é o de "um Brasil melhor". Tão vago e tão mais próximo, caso venha a ser aprovada a Reforma Política. Queridos camaradas, vocês estão tomando o mesmo posicionamento de partidos como o DEM e PSDB, fazendo oposição à Reforma. Isso não lhes assusta?

Além do discurso opositório, PCO, PSTU e PSOL (não sei se outros) recusaram-se a comparecer a uma reunião convocada pelo Palácio do Planalto, que pretendia reunir movimentos sociais e partidos de esquerda para um diálogo. Estes partidos, que tem acusado (e com razão) o governo federal de não abrir espaço para diálogo com movimentos sociais, recusam-se abrir-se a tal quando chamados? Contraditório? Infantil, na minha opinião! Birra de criança! Por mais que digam que "o governo federal não apresentará propostas concretas" e que este "quer defender lucros do empresariado", não há motivos para que se neguem ao diálogo. É contraditório e estúpido. Não queriam ser ouvidos? Está aí a chance, que acaba de ser jogada no lixo. O diálogo nunca faz mal. Na pior das hipóteses, sai-se do mesmo jeito em que se entrou - não há prejuízos. Entendo o PSTU se recusar, entendo mesmo. Até porque o partido tem como diretriz a "não crença nas vias democracáticas para efetivas mudanças, que só podem ser efetuadas por meio de revolução proletária". Agora, o PSOL? Bah! Quanto hipocrisia...

Às vezes tenho a impressão de que a atual esquerda gosta de seu título: Esquerda. Gosta de ser Gauche. Tem ojeriza pela situação. Quer ser do contra, não importando contra quê. Dói, dói muito em mim fazer este tipo de crítica a corrente ideológica a qual pertenço. Mas dói ainda mais ver atitudes estúpidas de partidos aos quais já pensei (penso) em pertencer e que tenho tanto carinho.

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