Uma coisa me chamou muito a atenção em todos estes protestos contra o aumento tarifário: A cabecinha reacionária da população. Já sei, há muito, que o pensamento brasileiro é, em sua maioria, conservador. Mas até que ponto esse conservadorismo vai nos levar à extrema burrice?
A tarifa de ônibus subiu abaixo do reajuste da inflação, o que já é um avanço, entretanto os salários não acompanharam. Ou seja, nosso poder de compra já está diminuído pelo aumento nos preços dos demais produtos, e agora o aumento dos custos no transporte público também é repassado para o povo? Ainda que não por completo, o repasse dos custos à população é, como sempre foi, uma conta que não é nossa. É fazer o povo pagar por uma política econômica mal sucedida. As empresas não diminuem seu lucro, os consumidores que paguem a mais! Só que antes de consumidores, somos cidadãos, e o direito de ir e vir nos é garantido pela Constituição. À medida em que aumenta os preços do transporte público e não investe em melhorias, o Estado cerceia este direito. Os mais pobres, o perdem aos poucos. Até mesmo a Classe Média o perde, pois é desincentivada a usar o transporte público, e opta, então, pelo transporte individual, causando o trânsito caótico que tanto conhecemos e que tanto tem a piorar.
Muitos dizem, em tom irônico: "Fazer manifestação vai adiantar muito!", "Quebrar a Paulista vai, mesmo, abaixar os preços.". Por favor, parem de hipocrisia. Primeiro que quem fala isso costuma ser a favor dos protestos na Turquia, do levante árabe e reclama que no Brasil "ninguém toma consciência de nada", aí, no primeiro protesto, é o primeiro a apedrejar os manifestantes. Pára né? Vocês acham que a passagem vai diminuir se formos todos à frente da prefeitura e pedirmos "por favor"? Ou se assinarmos petições online, enquanto vemos um vídeo no youtube? Ou se não fizermos nada, reclarmarmos em casa, e aguardarmos pelas próximas eleições? Não estou falando que sou à favor da depredação, mas que sou a favor do povo nas ruas! Só assim se consegue algo. Claro que tais medidas, idealmente, deveriam ser acompanhadas por atos como "boicotes coletivos", entretanto, numa cidade de proporções gigantescas como São Paulo, quem não tem um transporte individual fica quase que refém do transporte público. Não podemos esperar por uma repentina tomada de consciência coletiva. Já dizia Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Ou mesmo Chico "(...) Quem espera nunca alcança".
Acompanhei a cobertura da mídia aos protestos. Os manifestantes são tratados como "vândalos" e o único ato de importância é a "depredação". O REAL debate que a mídia deveria colocar à tona é sobre os preços das passagens, mas isso não interessa. Nem a eles, nem ao Estado, e nem às empresas. O governo reprime, além do direito de ir e vir, o direito à liberdade de expressão do povo, através das intensas e violentas repressões da PM (que, aliás, hoje não tem outra finalidade senão a de aparelho repressor do Estado - o silenciador de bocas), e a mídia, essa com liberdade TOTAL para se posicionar ao lado do empresários, da PM e do Estado, vilaniza o próprio povo. E o mais inacreditável: O POVO COMPRA ESSA VISÃO! Ou seja: o povo é o vilão do povo? Como, eu me pergunto, COMO, meu Deus, ninguém pára pra analisar a tendenciosidade de um texto, de uma notícia, a que interesses serve, antes de adotá-la como verdade inexorável! Lembrem-se que há sempre uma pessoa (ou uma empresa) com interesses próprios atrás de cada reportagem, de cada linha, de cada imagem, de cada palavra.
Outra abordagem que se faz necessária quanto à cobertura da mídia, é a atenção dada à manifestação. Nos anos de 2006 e 2011, teve-se manifestações de igual proporção, entretanto a cobertura midiática foi infinitamente menor. Sem contar que o aumento registrado nesse ano, foi menor do que nos anos anteriores. Será que é porque este ano prefeito é do PT e cobrir qualquer manifestação dando destaque a esta é reforçar a crítica à administração? Será que a extrema atenção é para reforçar o sentimento de insatisfação?
Diante deste "Cala-te boca" é mais do que necessária uma música de Chico, escrita há muito tempo, e ainda tão cabível:
A tarifa de ônibus subiu abaixo do reajuste da inflação, o que já é um avanço, entretanto os salários não acompanharam. Ou seja, nosso poder de compra já está diminuído pelo aumento nos preços dos demais produtos, e agora o aumento dos custos no transporte público também é repassado para o povo? Ainda que não por completo, o repasse dos custos à população é, como sempre foi, uma conta que não é nossa. É fazer o povo pagar por uma política econômica mal sucedida. As empresas não diminuem seu lucro, os consumidores que paguem a mais! Só que antes de consumidores, somos cidadãos, e o direito de ir e vir nos é garantido pela Constituição. À medida em que aumenta os preços do transporte público e não investe em melhorias, o Estado cerceia este direito. Os mais pobres, o perdem aos poucos. Até mesmo a Classe Média o perde, pois é desincentivada a usar o transporte público, e opta, então, pelo transporte individual, causando o trânsito caótico que tanto conhecemos e que tanto tem a piorar.
Muitos dizem, em tom irônico: "Fazer manifestação vai adiantar muito!", "Quebrar a Paulista vai, mesmo, abaixar os preços.". Por favor, parem de hipocrisia. Primeiro que quem fala isso costuma ser a favor dos protestos na Turquia, do levante árabe e reclama que no Brasil "ninguém toma consciência de nada", aí, no primeiro protesto, é o primeiro a apedrejar os manifestantes. Pára né? Vocês acham que a passagem vai diminuir se formos todos à frente da prefeitura e pedirmos "por favor"? Ou se assinarmos petições online, enquanto vemos um vídeo no youtube? Ou se não fizermos nada, reclarmarmos em casa, e aguardarmos pelas próximas eleições? Não estou falando que sou à favor da depredação, mas que sou a favor do povo nas ruas! Só assim se consegue algo. Claro que tais medidas, idealmente, deveriam ser acompanhadas por atos como "boicotes coletivos", entretanto, numa cidade de proporções gigantescas como São Paulo, quem não tem um transporte individual fica quase que refém do transporte público. Não podemos esperar por uma repentina tomada de consciência coletiva. Já dizia Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Ou mesmo Chico "(...) Quem espera nunca alcança".
Acompanhei a cobertura da mídia aos protestos. Os manifestantes são tratados como "vândalos" e o único ato de importância é a "depredação". O REAL debate que a mídia deveria colocar à tona é sobre os preços das passagens, mas isso não interessa. Nem a eles, nem ao Estado, e nem às empresas. O governo reprime, além do direito de ir e vir, o direito à liberdade de expressão do povo, através das intensas e violentas repressões da PM (que, aliás, hoje não tem outra finalidade senão a de aparelho repressor do Estado - o silenciador de bocas), e a mídia, essa com liberdade TOTAL para se posicionar ao lado do empresários, da PM e do Estado, vilaniza o próprio povo. E o mais inacreditável: O POVO COMPRA ESSA VISÃO! Ou seja: o povo é o vilão do povo? Como, eu me pergunto, COMO, meu Deus, ninguém pára pra analisar a tendenciosidade de um texto, de uma notícia, a que interesses serve, antes de adotá-la como verdade inexorável! Lembrem-se que há sempre uma pessoa (ou uma empresa) com interesses próprios atrás de cada reportagem, de cada linha, de cada imagem, de cada palavra.
Outra abordagem que se faz necessária quanto à cobertura da mídia, é a atenção dada à manifestação. Nos anos de 2006 e 2011, teve-se manifestações de igual proporção, entretanto a cobertura midiática foi infinitamente menor. Sem contar que o aumento registrado nesse ano, foi menor do que nos anos anteriores. Será que é porque este ano prefeito é do PT e cobrir qualquer manifestação dando destaque a esta é reforçar a crítica à administração? Será que a extrema atenção é para reforçar o sentimento de insatisfação?
Diante deste "Cala-te boca" é mais do que necessária uma música de Chico, escrita há muito tempo, e ainda tão cabível:
