terça-feira, 25 de junho de 2013

Como Cães e Gatos

É engraçado como sempre comparei a forma das pessoas se relacionarem  com o bicho que preferem. Por exemplo: gato e cachorro.

Quem gosta de cachorro não costuma entender o amor como algo livre e espontâneo. Porque o cachorro é amor devocional. Cachorro abana o rabo quando o dono chega - está sempre de bom humor, sempre correndo atrás do dono. Bata num cachorro, brigue com ele, e dois segundos depois, é ele que vai lamber sua mão, como se quisesse fazer as pazes. Pra começar que cachorro tem "dono", né? Já não é a mesma relação com gato.

Gato, é amor livre. Aquele amor que você dá, sem esperar nada em troca, e também recebe quando menos espera. Não dá pra forçar um gato a gostar de você: Ou ele gosta, ou não gosta. E quando ele gostar, vai demonstrar. Passe semanas fora, e ele não virá abanando o rabo pra você - ficará ressentido, magoado; terá de ser reconquistado aos poucos. Gato é orgulhoso, fica bravo se brigam com ele ou se o proíbem de algo. Mas a seu tempo, e a seu espaço, perdoa. Gato não tem dono, tem companheiro.

... E extendendo um pouco mais essa reflexão, esses dias, em casa, com meu gato, percebi que temos atitudes ainda mais comparáveis: Eu estava me arrumando, e ele ronronando e se esfregando em minhas pernas. Não que eu não o quisesse ali, ou que eu não o amasse. Só tinha coisas mais importantes para fazer. E continuei me arrumando e cuidando das minhas coisas, enquanto meu gato me dava carinho e pedia atenção. Quando ele se cansava e ameaçava ir embora, eu lhe dava um pouco de carinho (não queria perder meu bajulador), mas logo voltava aos meus afazeres. Assim, mantive meu gato ao meu entorno até que eu terminei de me arrumar e saí, sem em nenhum momento lhe dar, verdadeiramente, atenção. Foi então que percebi que fui uma filha da puta com meu Oliver, comparável a tantos filhos da puta por aí.