domingo, 21 de julho de 2013

O Melhor Post do Mundo

Não lembro onde, e nem de quem, ouvi que elogios são lubrificantes sociais. Talvez tenha sido em "Memórias Póstuma de Brás Cubas". Enfim, o fato é que são mesmo. Parece que muitas vezes nos sentimos obrigados a elogiar algo ou alguém, seja por educação, por empatia, ou simplesmente por puxa-saquismo. Aliás, muitas pessoas sentem a necessidade de elogios para se auto-afirmarem. É como aquela menina, que posta uma foto no Facebook com a legenda "Estou feia", para que tenha 50 comentários dizendo o quanto ela é linda. Elogios são vazios - se não o fossem, se chamariam "verdade". Elogiar serve para massagear o ego alheio, e como vivemos numa sociedade onde tudo, inclusive os serviços públicos, se pautam por "pessoalidade", onde o indivíduo e suas vontades tem mais importância que o coletivo, a serventia do elogio passa ser, antes de tudo, a lubrificação das relações sociais.

Nunca soube lidar com elogios. Talvez porque eu saiba a real intenção por trás deles, ou talvez por ser segura demais, ou talvez os dois.

Existem vários tipos de elogios: Tem o elogio do puxa-saquismo, o sincero da falta de conhecimento, o do prêmio de consolação e, o mais raro de todos, o verdadeiro.


O Elogio Puxa-Saco

Esse tipo de elogio é um dos que mais me irrita, perdendo apenas para o "Prêmio de Consolação". Odeio puxa-saquismo. Primeiro porque quem o faz parte do princípio que você é tão idiota a ponto de se deixar comprar por elogios. Segundo porque é recheado de segundas e terceiras intenções, e quem o faz parte, de novo, do princípio de que você é idiota o suficiente para não percebê-las. E terceiro porque é perigoso: vai que quem os recebe é idiota mesmo, e acredita? Corre o risco torná-los empecilhos para seu crescimento pessoal, construindo situações ilusórias - de que tudo está perfeito como está, de que não há no que melhorar - e dando base para conformismos.


O Elogio Sincero da Falta de Conhecimento

Uma linha tênue separa este tipo de elogio do anterior. O Elogio Sincero da Falta de Conhecimento não é feito com má intenção; pelo contrário, é sincero. O problema é que quem o fala não tem conhecimento sobre o assunto, e pode levar quem o ouve à mesmíssima ilusão provocada pelo anterior, que barra o crescimento pessoal. Não é porque um elogio é sincero, que é verdadeiro. Este tipo de elogio não me irrita e nem me alegra - simplesmente não me afeta.


O Elogio "Prêmio de Consolação"

Esse tipo de elogio tem o dom de me enfurecer, de me tirar do sério! Não que ele seja feito com maldade, pelo contrário - o intuito deste tipo de elogio é fazer quem o ouve se sentir melhor. Equivale a um "não fique triste", "nem tudo está perdido", "veja o lado bom", "mas pelo menos...". O problema deste elogio é justamente esse: a consolação. E justamente isso é perigoso: O elogio, além do risco de barrar o crescimento pessoal, pode servir também de muleta. A mim irrita porque quem o faz parte do princípio de que você precisa ser consolado. Enfie sua pena, dó e sua consolação no cú, porque eu não preciso dela! Cara, como eu odeio este tipo de elogio.


... E por último, o elogio verdadeiro
Há apenas uma diferença entre este e o "elogio sincero da falta de conhecimento": a realidade. Este elogio, é tão sincero quanto o outro, com as mesmíssimas boas intenções, entretanto condiz com a realidade. Não é lindo? Além de fazer bem pra alma e pro coração, este é o único tipo de elogio que ajuda no crescimento pessoal, pois te dá uma noção de "evolução" e de suas potencialidades. É o único tipo que gosto de receber. 
Ser seguro de si torna todos os outros tipos de elogios desnecessários. Porque se você tem plena consciência de suas qualidades e seus defeitos, não precisa que alguém os reforce ou simplesmente ignore. Segurança traz uma blindagem contra muletas e ilusões.

Ainda há um quinto tipo de elogio: o irônico - mas este nem é bem um elogio, né? E quem não entende uma ironia, tampouco entenderá uma longa explicação!

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