![]() |
| Dia Nacional de Lutas, 11 de Julho de 2013 |
Decidi-me por falar, ainda das manifestações de junho, mas desta vez em julho. Porque estou voltando ao tema? Porque, bem, é mais fácil avaliar de fora. Além do mais, quero falar das conquistas, que são coisas que só podem ser vistas depois dos acontecimentos. Falemos, então:
Tenho tido uma postura extremamente pessimista com relação às manifestações. Principalmente depois da tentativa direitista de manipulação das pautas, por meio da ausência destas. Mas depois dos desdobramentos, da poeira mais baixa, e da chegada de julho pude visualizar as conquistas e as derrotas com um pouco mais de clareza e otimismo.
A maior conquista não foram os 20 centavos. A maior conquista foi a população ver que pode se unir em prol de um objetivo (pauta!) e alcançá-lo. Foi o repentino interesse por política de uma considerável parte da população (não digo politização, porque aí já é otimismo demais haha). A política, antes um tema "indiscutível", junto com religião e futebol (!), agora passou para o topo das discussões populares! E isso é bom, isso é muito bom. Porque não há passo maior para o aprendizado do que o interesse, a disposição. Foi também, depois da quinta 13, um maior debate sobre a polícia militar e sua forma de agir.
Entretanto, a conquista mais importante de todas, na minha opinião, foi a conquista das ruas. O espaço urbano, foi, em decorrência do processo de privatização e gentrificação da terra, e da repressão cada vez maior do Estado e do capital, que empurrou o povo para a periferia, "privatizado". A cidade não era mais do povo! O povo perdeu o direito à cidade gradualmente, à cada muro construído, à cada despejo, à cada shopping, à cada novo condomínio, à cada avenida construída, à cada vinte centavos de aumento.
Contudo, tivemos nessas manifestações a retomada da cidade! A rua é nossa! A cidade é nossa! Podemos, sim, PODEMOS, nos reunir, protestar, e andar por quaisquer vias e lugares! Desde uma ruela de bairro à Avenida Paulista, porque a cidade nos pertence!
O povo retomando o que é seu, é lindo! Lembro-me de dois momentos e pude percebê-lo: Um, foi na segunda-feira 17, quando estava na Paulista, tomada de pessoas, e encontro dois amigos (que nem se conhecem) cada qual conversando, brincando, fumando com seus outros amigos, enfim utilizando a rua (melhor do que os carros). Foi como ver o "meu mundo", tomar o "mundo dos carros e das pessoas estranhas". O outro, foi num determinado dia, não lembro qual, em que fui para a Paulista com dois objetivos: participar de uma manifestação organizada pelos movimentos de esquerda, e depois para participar de uma "Aula Pública" no vão do MASP. E qual não foi a linda surpresa que tive, quando me deparei com a Paulista fechada? Estávamos tendo: A manifestação dos médicos contra a vinda de profissionais cubanos, de profissionais da saúde contra o ato médico, dos movimentos de esquerda contra a Copa do Mundo e a aula pública no MASP (talvez eu tenho deixado passar alguma, mas enfim). Por mais que eu não concorde com o motivo da manifestação dos médicos coxinhas (ops!), achei fantástico o modo como a Paulista estava tomada novamente, por diversas manifestações. O modo como agora realmente sentimos que a Paulista é nossa, que o MASP é nosso, que São Paulo é nossa. O modo como podemos simplesmente nos juntar para protestar e sair andando pelas vias da cidade, simplesmente porque sentimos e sabemos que podemos!
Na minha opinião, não houve ganho maior do que a retomada da cidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário