quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cerveja, Maconha ou Cocaína?


            O Brasil tem se mostrado um reaça de primeira - Isso na questão dos Direitos Humanos e das Políticas Antidrogas, indo na contramão da tendência mundial. Mas, deixemos os Direitos Humanos para o próximo post e falemos das drogas.
             A tendência vista mundialmente é a da legalização e regulamentação (isso é indiscutível). Até países mais conservadores e que tem a tradição dos "xerifes policiais", como os EUA, já perceberam o falimento da postura repressora. A repressão não inibe o tráfico, pune o usuário, ao invés de ajudá-lo, e aumenta a violência e o poder de facções e cartéis.
               Portugal é o exemplo do sucesso da política de liberalização e assistência ao usuário. Em 1997, 1% da população era viciada em heroína. Hoje, este número está reduzido à metade, e 35 mil estão em tratamento, além da enorme queda nos índices de violência. "Portugal ataca as drogas, não o viciado" - diz João Goulão responsável pela política antidrogas portuguesa, que legalizou o porte e o consumo. (Mais em http://www.cartacapital.com.br/revista/748/portugal-ataca-a-droga-nao-o-viciado).
               São estes os motivos pelo qual sou a favor da liberação das drogas, como um todo, não apenas da maconha. A maconha é outra história - Sou a favor da liberação porque simplesmente não tem o menor sentido legalizar o álcool (que é muito mais nocivo ao cérebro e causa problemas sociais como a violência doméstica, acidentes de trânsito, etc) e o tabaco (nem preciso comentar, né?), mas proibir o uso da maconha. Além da incoerência, ainda temos o fato de que obrigamos os usuários a buscarem o produto com o tráfico - dando dinheiro a este, e facilitando a introdução à drogas mais pesadas. http://www.cartacapital.com.br/revista/748/legalizem-as-drogas
                De volta ao Brasil, ontem (22/05) foi aprovado um projeto que endurece as penas contra traficantes , legitimiza a internação compulsória e não faz nada em relação ao álcool. No texto original, fabricantes brasileiras deveriam imprimir rótulos alertando sobre os riscos do consumo de álcool. Curiosamente, esta foi a única parte do projeto barrada. O deputado Beto Mansur (PP-SP) justifica da seguinte maneira: "Não será esse texto no rótulo que vai resolver o problema do consumo de bebida alcoólica e só vai prejudicar o setor.". O peixe morre pela boca. Se o rótulo não fará diferença, de que maneira prejudicaria o setor? E se a preocupação é com a desvantagem da indústria nacional, por que não fazer com que produtos alcoólicos estrangeiros também precisem do rótulo de advertência? Criolo explica:
"O dinheiro da cachaça vai pra comunidade
Alcoolismo é doença, mas a safadeza filho
Da galera que apoia, você não acha esquisito?
O governo libera porque lucra com isso
E a gente toma cachaça até no aniversário de Cristo."

"Fala pra mim qual das três é mais vendida: Cerveja, Maconha ou Cocaína?"


Leia mais em: http://www.cartacapital.com.br/politica/congresso-endurece-lei-antidrogas-mas-nao-faz-alerta-sobre-alcool-3270.html

Um comentário: