Tenho percebido que o assunto "relacionamentos mornos" tem sido muito recorrente em minhas conversas. Não sei se é por causa da idade, das amizades ou do que quer que seja. O fato é que todo mundo sabe da existência de inúmeros relacionamentos mornos por aí. Sinceramente, eu não entendo o porquê de se continuar com alguém por comodidade ou conforto - nunca passei por uma situação parecida. Mas chega de relacionamentos. Agora vamos pra parte dos livros:
A minha história com esse livro é longa: comprei-o por volta de maio do ano passado; já data um ano. Foi amor à primeira vista! Lembro como se fosse hoje: estava na Saraiva do Shopping Pátio Paulista, na seção de economia. quando ele olhou pra mim - aquela capa linda, com um título atraente "O Enigma do Capital e as Crises do Capitalismo". Olhei-o mais de perto, li a sinopse, vi o autor (David Harvey), senti o cheiro, folheei, olhei o preço - hesitei. Avaliei o custo benefício. Achei justo. Pago o valor e ganho pra mim, só pra mim, aquele livro lindo pelo qual me apaixonei. Feito. Comprei o livro.
Saí da livraria empolgada. Nem esperei chegar em casa, comecei a lê-lo no ônibus mesmo! Aliás, na fila do ônibus eu já lia o prólogo. Toda feliz, contei pros amigos, coloquei no status do facebook, mostrei pra minha família, era alegria que só. Eu o levava para todo lugar, e fazia questão que todos me vissem lendo-o - desfilava com ele! Um chamego, eu e aquele livro.
Até que chegou julho e tivemos nossa primeira crise. Com cerca de 5 ou mais livros obrigatórios para ler, fora o conteúdo a estudar, fiquei sem tempo para ele. Me sentia culpada. Queria lê-lo mas tinha que cumprir minha obrigações. Agora você me pegunta "E os sábados à noite? E às sextas-feiras? Você não podia ter deixado de ir àquelas festas?". É, podia. Mas não posso abandonar meus amigos. Eu queria ler o livro, mas também queria sair com meus amigos. E domingo, bem, domingo é do Faustão e da família. Tirava uma meia horinha pro meu livro, de vez em quando, aos domingos.
Tadinho. Ficou triste. Depois de um tempo de crise, passada a época apertada de provas, pensei: Finalmente, terei tempo para o meu livro! Foi felicidade de novo! Como sempre a volta é muito gostosa. Matamos às saudades. Li logo um capítulo todo de uma vez. Mas, uma semana depois, eu não queria mais ler um capítulo por dia... queria ler 10 páginas. Depois de outra semana, eu lia 5 páginas ao dia. Findo um mês, lia dia sim, dia não. Depois de uns 3 meses, 5 páginas, uma vez por semana, estava bom. Hoje, leio quando me dá vontade. Ou melhor, acho que leio mais porque tenho que acabar do que por vontade.
Cheguei naquele patamar em que tem dias que você até quer ler o livro, mas quer tantas outras coisas, e tem dias que você não quer nem vê-lo. Levo o meu livro para quase todos os cantos, exceto festas e rolês. Me sinto culpada se não o faço. Tento criar uma rotina de ler um subcapítulo de umas 4 páginas algumas vezes na semana. Não que eu esteja morrendo de vontade de fazê-lo; mas já estou há muito tempo com ele, já li tantas coisas, faltam apenas alguns capítulos e o que eu falaria para as pessoas que sabem que o estou lendo? Que larguei o livro na metade? Não vou fazer isso, não por um impulso. Não é que eu não goste dele. Eu gosto. O autor é bom, o livro é bom. Quando o leio, até sinto prazer. É o tipo de assunto que gosto. Vou até o final.
Sim, vou até o final. Aliás, acho até que vou lê-lo agora e lerei 2 subcapítulos! Leio uma página e verifico quantas faltam para o final do subcapítulo. Leio outra página, e acesso a internet. Leio mais uma página e respondo uma mensagem. Leio... espera, o que estava escrito no parágrafo anterior, mesmo? Volto, releio. E o subcapítulo não acaba nunca. E aquela conversa ontem... estou com fome... livro, tá, o livro. Ufa, acabou o subcapítulo. Acho que não vou ler o outro hoje. Chego em casa. Há tantos livros que quero ler! Vou à livraria e me apaixono por um livro do Chico Buarque, tão lindo, tão delicado. Cheira a poesia... Não! Tenho que terminar o outro primeiro. Então, compro o livro do Chico e mantenho-o na minha estante. Quem sabe um dia...
Voltando ao assunto dos relacionamentos, não entendo porque uma pessoa mantém um relacionamento morno.
As pessoas mantém relacionamentos mornos pois tentam lê-lo mesmo sem vontade. Mas diferentemente de um livro, que termina e você coloca na prateleira ou empresta, você vai protelando até um dia ele se fechar.
ResponderExcluirAlgum lado pode abri-lo e rele-lo com o mesmo entusiasmo quando foi comprado. Ou simplesmente deixa-lo de lado e ficar feliz com a experiência que teve.
É porque os mornos são melhores que nenhum.
ResponderExcluirE enquanto a gente não tem o livro que quer, vai saboreando outras leituras, até podermos pegar o que nos interessa.
Impressionante como ás vezes você acerta e muito! hahahahahahha
ExcluirHehe, Relacionamentos mornos não tem graça, das duas uma: ou queimam como papel cheio de álcool ou dos geladinhos que quase nunca quebram, mas são gelados, gelados...
ResponderExcluirQuanto aos livros, diria que simplesmente e felizmente existem viciados que sofrem e sentem prazeres assim como um fumante.
Relacionamentos mornos, geralmente é mantido por um dos lados, o de quem gosta. E apenas aceito pelo outro, que dentre outros motivos, considera cômodo.
ResponderExcluirAgora a sua história de amor com o livro, na minha opnião, tá mais pra empolgação que pra paixão, até eu que não gosto de ler, quando quero e acho interessante, não protelo tanto, e descrevo como um martírio.